"Foram-se os amores que tive ou me tiveram : partiram num cortejo silencioso
e iluminado"
Assim começa um poema que eu sempre recito, e que a cada dia me parece mais real.
Então, numa bela e fria manhã (Como eu me lembro? Fácil, todas são assim!) eu olhei pra trás e vi que realmente, todos eles se foram. E não, pros meus míseros 19 anos, não foram poucos.
No fim (se é que posso falar em fim, estando tão no começo), ao contrário do que a cultura de massa e os poetas e as músicas e as novelas dizem, a gente só pode contar consigo mesmo. O mundo cor de rosa e tão lindo é exclusivo dos amantes e dos apaixonados, não é pra mim. Sim, sim, talvez o seja novamente algum dia, mas há uma certeza, inabalável: não quero me esquecer dos dias sem grandes paixões e sem grandes amores. Acredito de verdade que relacionamentos tornam-se bengalas, e depois muletas, e por fim cadeiras de rodas. Sou uma paranóica que morre de medo de "arrumar um namorado" e perder a identidade (sim, já fiz isso antes), e depois cair lá do 8º andar, quebrar o coração em 1000 pedacinhos e chorar até ter hemorragia lacrimal (é, isso existe). Tenho medo e ao mesmo tempo adoro me envolver. Odeio perder o controle. Ixi, virou perfil de orkut.
Tá, aperta rewind e começa de novo.
Amores e paixões: passam, todos, sem exceção. Então meu caro, esqueça as juras de amor eterno, esqueça aquela coisa péssima de "te amo pra sempre e quero te ter comigo até o fim dos meus dias". Não, isso não existe. Não quando você tem menos de 40 anos de idade! Pare de pensar que seu(sua) namorado(a) é a pessoa que vai andar ao lado do seu caixão e chorar no seu túmulo, porque não vai ser assim. Pare de pensar que todos os seus planos juntos irão se concretizar, pare de programar mil viagens românticas porque elas não vão acontecer. Pare de pensar que é impossível ser feliz sozinho, porque na verdade, no fim das contas, você É SOZINHO. Porque não há garantias ou contratos ou documentos que unam duas almas e dois corpos diferentes, não há sentimento ou laço que te prenda a uma pessoa eternamente. Desista do discurso apaixonado idealista, mesmo que você acredite nele em algum nível.
Peraí, esse blog foi sequestrado? Não. Selene Adamo ainda é meu "nome", eu ainda ouço Roupa Nova e Fábio Jr (sem brincadeira), eu ainda adoro dormir de conchinha, eu ainda me derreto com rosas vermelhas e frases de efeito e sussurros e beijos no pescoço. Mas surtada que sou, adoro um discurso bem cético de vez em quando.