quarta-feira, junho 25, 2008

21-06

Ontem você me deixou. Me deixou arrumada, vestida, maquiada, penteada, disposta, inflamada e bêbada, esperando você ligar, aparecer, dar o ar da graça. Me deixou da exata forma que eu tinha prometido não tolerar, tipo a gota d’água. E estragou o que eu jurei que seria a sua última chance, a minha última tentativa, minha investida final, meu esforço derradeiro. You just messed it up.
E hoje eu acordei com um aperto incômodo no peito, uma infelicidade pequena dessas que os outros nem notam, mas que a gente sabe estar lá. Uma tristeza fria e úmida de quem é obrigado a desistir do que nem começou, antes de começar. De quem fica sem saber o que podia ter sido.
E eu nem sei por quê. Olho pra dentro de mim, e passo tanto tempo explicando pra mim mesma que é uma pena, mas você não vale a pena, e que nem tem motivo pra sofrer por isso. Porque afinal, eu nem te conheço mesmo! Foi só uma noite, e eu só falei com você umas poucas vezes, só sei da sua vida o que seu orkut ou seu amigo me disseram, e isso é tão pouco. Pra quê essa cisma então? Porque essa vontade idiota de te conhecer, de te olhar de perto e conferir os traços do seu rosto e o formato dos seus olhos, de me encaixar nos seus braços e beijar seu pescoço de leve, de me balançar com você ao som de um samba qualquer? De onde vem essa saudade?? Essa falta inexplicável de você me beijando as bochechas, dos dois lados, alternada e repetidamente; de você forjando uma cara de bravo e perguntando onde eu tava; me pegando pela cintura e me puxando pra dançar; de você tirando a faixa do meu cabelo; me mostrando vídeos no celular; colocando seu boné na minha cabeça por causa da chuva... de você, você, você. O cara que eu não conheço.

Eu não queria desistir de você, e isso tá aqui escrito na minha testa com letras garrafais, como uma imensa espinha que nem todo o corretivo-base-pó do mundo poderiam esconder. Um joelho ralado que arde a cada passo que eu dou, um incômodo pequeno mas constante. “E é pra não ter recaída que não me deixo esquecer que é uma pena, mas você não vale a pena”.

segunda-feira, junho 09, 2008

Moving (on)

A casa tá tipo, entre 60 e 70% encaixotada. Bem bonita, cê pode imaginar. O Dono da Festa, meu povo, bate e sopra all the time, alternadamente. “Pode parar de procurar, taí o apartamento que você quer, minha filha.” Aaah, mas só pra olhar! “só olhar, só olhar, baba!” Pra entrar ainda vai ter que comer um tantim de pão dormido. E esperar documento, e ir atrás de documento, e esperar mais um pouco, e providenciar mais uma meia dúzia de coisas, e convencer/sensibilizar mais meia dúzia de intrometidos, e encaixotar, separar, guardar, embalar... passa durex na caixa, escreve na caixa, arrasta caixa, pula caixa, começa outra caixa, abre mala, enche mala, senta em cima da mala. Guarda, guarda, guarda e cadê a diferença? E de quebra agüenta mais umas DEZOITO crises da doença que não pode ser nomeada, porque né?? Pra quê facilitar? E finge que loucura não é nada. A loucura de todo mundo pode ser compreendida, ele disse um dia, lá atrás, e até agora tudo que ele disse foi se provando certo (impressionante)... E eu vô tentando, né galera? Tem ôtro jeito? Agora negocia aí esse contrato que num tá bom não, é... Naaaah, pressa pra quê?? Vai sentindo o amargo até o último minutim, até num poder mais mêrmo. Que liberdade é coisa cara, minha fia. Bem mais cara que 650+250 reais por mês. Tá fácil pra ninguém.

Ah, pelo menos o doce vai ser mais doce. Vem chegaaaaaaaaaaaaaaaaaaaando, doce!
Meu sonho é mudar.