Só eu sei o quanto tudo mudou. Só eu posso saber o real significado do que me foi arrancado, do peso que me foi tirado, do fardo que não mais carrego. Da mudança drástica que isso representa, do renascer que vejo e sinto, em cada célula remanescente, todo dia.
Tenho a sensação de começar tudo de novo, de ter que refazer a vida do zero. Com todos os valores repensados e sopesados sob uma perspectiva totalmente nova, com todos os hábitos, os modos, as certezas e os instintos mudados. Até eles, os instintos. Tudo tão diferente, tudo tão avesso. Tudo precisa ser revisto. Eu acho que meu andar, meu olhar, minha voz, minha visão, audição, olfato, paladar e tato, tudo deve também estar diferente, porque... porque eu simplesmente não sou mais a mesma pessoa. E me leio e penso no quanto isso realmente pode soar fútil, vazio, uma inversão de valores completa. Mas no mesmo instante tenho tanta certeza de que não é. E não é mesmo, porque o corpo, esse aqui, é sim o que nos resta de mais valioso. Templo, instrumento, porto. Negligenciar a isso, dizer que “importante na verdade é o que temos por dentro”... é hipocrisia. Mesmo porque nada que está lá dentro está “desconectado” do que se mostra aqui fora.
Eu ando pela rua e não sou mais aquela. E nem digo “não sou mais eu”, porque é essa aqui que sou, em cada parte, com todas as características, boas ou ruins. Sou essa e não quero voltar a tempo algum, sou essa e não quero apagar nada, mas também não olho pra trás. Sou essa aqui, na totalidade, mas essa aqui é alguém tão novo, alguém que se conhece pouco ainda, alguém que se sente mesmo recém-nascida. Alguém que começa do zero, e recomeçar nunca é de todo fácil.
Talvez eu já pudesse tudo. Talvez a capacidade sempre estivesse dentro de mim, talvez isso já estivesse aqui o tempo todo, só eu não vi. Mas ver muda tudo. Eu agora posso. Eu agora vou atrás, vou em frente, levanto a cabeça e os ombros, dou a cara pra baterem. E a boca pra beijarem, e as mãos pra segurarem. Eu não fico mais parada na beirada. Eu pulo. De ponta. E não sei ainda dosar isso tudo com aquilo que morava aqui antes, não sei ainda conciliar totalmente a pessoa de antes com essa mulher nova que veio morar em mim, essa que trouxe rosas vermelhas pra substituir as margaridas, que veio queimando sutiãs e cintas, que veio ouvindo lounge e trip hop ao invés de MPB, jogando no ataque e não mais na defesa. Não sei dizer pra ela se conter, ela me parece tão fascinante, ela me faz tão bem. Ela é exatamente aquilo que a menina tímida e complexada que mora dentro de mim queria ser um dia, aquilo que eu pensava que “só na próxima encarnação”. E eu ainda não sei, (vou saber logo, mas ainda não sei) como ser tudo ao mesmo tempo, como tornar isso mais equilibrado e mais saudável. Eu preciso aprender.
Eu ando pela rua e não sou mais aquela. E nem digo “não sou mais eu”, porque é essa aqui que sou, em cada parte, com todas as características, boas ou ruins. Sou essa e não quero voltar a tempo algum, sou essa e não quero apagar nada, mas também não olho pra trás. Sou essa aqui, na totalidade, mas essa aqui é alguém tão novo, alguém que se conhece pouco ainda, alguém que se sente mesmo recém-nascida. Alguém que começa do zero, e recomeçar nunca é de todo fácil.
Talvez eu já pudesse tudo. Talvez a capacidade sempre estivesse dentro de mim, talvez isso já estivesse aqui o tempo todo, só eu não vi. Mas ver muda tudo. Eu agora posso. Eu agora vou atrás, vou em frente, levanto a cabeça e os ombros, dou a cara pra baterem. E a boca pra beijarem, e as mãos pra segurarem. Eu não fico mais parada na beirada. Eu pulo. De ponta. E não sei ainda dosar isso tudo com aquilo que morava aqui antes, não sei ainda conciliar totalmente a pessoa de antes com essa mulher nova que veio morar em mim, essa que trouxe rosas vermelhas pra substituir as margaridas, que veio queimando sutiãs e cintas, que veio ouvindo lounge e trip hop ao invés de MPB, jogando no ataque e não mais na defesa. Não sei dizer pra ela se conter, ela me parece tão fascinante, ela me faz tão bem. Ela é exatamente aquilo que a menina tímida e complexada que mora dentro de mim queria ser um dia, aquilo que eu pensava que “só na próxima encarnação”. E eu ainda não sei, (vou saber logo, mas ainda não sei) como ser tudo ao mesmo tempo, como tornar isso mais equilibrado e mais saudável. Eu preciso aprender.