sábado, janeiro 26, 2008


Às vezes eu ainda me surpreendo com o seu cheiro no meu ombro, no meu cabelo, na minha roupa. E me pego achando tão natural essa sua presença já tão constante, na minha vida, nos meus dias, até na minha história. Às vezes me lembro que tem, sei lá, uns 20 dias que eu te conheço, e dá vontade de rir. Dá vontade de ligar lá pra cima e pedir pro encarregado de gerenciar o tempo parar de zoar com a minha cara, porque a gente sempre aprendeu que 20 dias não são 20 anos, e porque só até o fim de fevereiro pra ser feliz não vai rolar não, brother. E aí sim, vem a vontade de chorar. Tá bom, tá bom, eu não disse isso, esquece. Eu juro que tô tentando aprender a tal lição que você veio me ensinar, eu prometo não ficar sofrendo nem olhando pra trás, eu prometo acreditar, tentar, dar uma chance pra vida. Prometo mesmo, não é só speech. Mesmo porque, with you I´m speechless, baby.

Ainda me surpreendo com a sua letra no papel, com um bilhete dizendo “fica, vai”, e com os seus olhos me pedindo desculpa por não ter conseguido mais segurar o tranco. Com você dizendo sempre que não, que eu não posso largar o meu mundo pra trás nem jogar o meu futuro pro alto, e ôrra, você nem sabe como o meu mundo é maravilhoso, pra já dizer isso....
Às vezes eu me pego querendo te levar pra ele, e noutras vezes, me pego até querendo ficar no seu. Duvidando de que um dia vou fazer um negócio bom como esse, melhor até que os dois casacos por 20 dólares. Arrume um emprego e ganhe... caralho, não sei nem definir. “A sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida” me parece tão apropriado, mas you know, eu tenho tanto medo de chamar de amor e fuder tudo de vez. Será que tem como piorar?

Mas já disse e continuo achando uma puta duma sacanagem fazer qualquer reclamação a respeito desse presente. Sim, Presente com P maiúsculo, inegavelmente. Continuo também achando, nos meus momentos de revolta e pessimismo, uma puta de uma ironia, uma brincadeirinha de muito mau gosto daquele mesmo anjo safado que brinca com o meu destino desde os primórdios. E me dá só um “free for trial” do programa mais fodão, desses que expiram depois de num sei quantos dias de uso e não funcionam mais nem por reza. E a gente tem que se acostumar sem.

A verdade é que eu sei lá onde vou enfiar todo esse conforto, toda essa naturalidade, essas certezas. Sei lá o que vou fazer com esse meu gosto pelo simples e com a minha constatação de ter encontrado o mais genuíno dos simples. Exatamente como eu sempre pensei que a vida devia ser. Natural, transparente, clara e simples. Lembra da check list? Eu também venho completando a minha, cada dia mais. A verdade é que não posso pensar muito nisso também, que não tenho condições de fazer contato com esse campo ensolarado cheio de margaridas que é você dentro de mim, porque não tem jeito and we both know it, baby. As regras não são nossas.

Quer saber? Larga tudo agora e vem pra cá ficar comigo, parar o tempo, me dar colo, brincar com meus cachos. Vem que eu prometo que canto, até que você não possa mais ouvir minha voz. Até que a gente se canse, que a gente se alcance, que a gente se pertença.
Até que tempo, medo e distância passem a não significar mais nada. Aí a gente dorme.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Vem chegando, 2008.

"Todo caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica
demais - a gente levanta, a gente sobe, a gente volta! (...) O correr da vida
embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega
e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

Guimarães Rosa
- Grande Sertão, Veredas