Às vezes me sinto a peça faltando em você. Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter.
- Você não vai mandar em mim, entende isso de uma vez por todas!
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- Sabe, eu acho bom que você exploda! Ao invés de ficar se fazendo de anjinho o tempo todo...
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- Você está do meu lado ou não está?
- Quando você estiver absolutamente errado como está agora, não.
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- Você é igual aquela menina do filme, que faz tudo pra todo mundo e deixa todo mundo pisar na sua cabeça.
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- Pra mim tá claro que eu estou com você muito mais do que você tá comigo.
- Se é assim que você pensa, eu não posso fazer nada a respeito. Eu não vou ficar te consolando e passando a mão na sua cabeça se eu discordo 100% de tudo que você disse até agora.
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- Pára de gritar, eu tô aqui do seu lado.
- Não me manda falar baixo, você me provoca o quanto quer e depois me manda não gritar? Eu sempre falei alto, é essa a namorada que você tem. Não se acostumou ainda?
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- Eu não vou aguentar isso pro resto da vida.
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- Se todo mundo até agora abaixou a cabeça pra você e simplesmente aceitou a sua intolerância e a sua grosseria, pode saber que comigo não vai ser assim. Eu não vou ter mais paciência do que já tenho, eu não vou deixar você ser tão difícil quanto estiver afim de ser;
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- Eu sou assim, se estiver cansada, não estiver mais afim, termina agora!
- Ah, lá vamos nós com o “termina agora” de novo.
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- Os rancores que você guarda e a relação que você tem com ela são problemas seus! Eu não tenho nada ver com isso!
- Engraçado, eu nunca te disse que os seus problemas com a sua família são problemas só seus. Pelo contrário, eu sempre fiz questão de demonstrar que estava ali, do seu lado, pra resolvermos tudo juntos.
...
- Você tá comigo ou não? Você tá do meu lado ou não tá?
...
- Quando é que você vai parar de colocar essa relação em cheque?
...
- Eu não tenho nada mais pra te dizer.
...
...
- Vamos ver o filme que tá passando?
(...)
- Vamos
...
- O que você tá pensando?
- Nada...
...
- Eu só quero ficar bem.
...
- Me desculpa? Eu perdi a razão.
- Eu também. Desculpa...
...
- Eu preciso ser menos nervoso, eu sei.
...
- Quando disse aquilo... você tinha razão, desculpa.
- Quem é que te fez reconhecer? Quando eu falo você não escuta, quando são os outros, você reconhece.
- Tá, meu bem, eu sei. Desculpa... pelo menos eu reconheci.
- Eu sei, meu anjo... eu sei. Vem aqui.
...
- Você precisa parar de querer desistir, de colocar a relação em cheque.
- Eu nunca pensei em desistir, eu nunca vou desistir da gente. É que eu tenho tanto medo de você não me querer mais...
...
- Vamos? Por favor, é importante pra mim.
- Tudo bem, amor. Nós vamos.
...
- Amor, vamos deitar lá dentro, na cama?
- Ãh? Ahã, vamos...
...
- Te amo.
- Também te amo.
Apostar na parte bacana do tal do amor. Do tal do amor...
Don't you worry there my honey / We might not have any money / But we've got our love to pay the bills Maybe I think you're cute and funny / Maybe I wanna do what bunnies do with you
If you know what I mean
Oh lets get rich and buy our parents / Homes in the south of France
Lets get rich / And give everybody nice sweaters / And teach them how to dance Lets get rich and build a house / On a mountain making everybody look like ants
From way up there, you and I, you and I
Well you might be a bit confused / And you might be a little bit bruised
But baby how we spoon like no one else / So I will help you read those books
If you will soothe my worried looks / And we will put the lonesome on the shelf
Lets get rich and buy our parents / Homes in the south of France
Lets get rich and give everybody / Nice sweaters and teach them how to dance
Lets get rich and build a house / On a mountain making everybody look like ants
From way up there, you and I, you and I
Então é assim que é esse negócio de virar adulto, né? Engraçado, quando criança eu pensava tanto nisso e nunca me passou pela cabeça que fosse algo assim tão complexo, demorado, doído. Nunca tive muita noção do processo, talvez acreditasse que ia acordar um dia e pronto, adulta. Ou talvez eu pensasse que era um status que se adquiria automaticamente com a entrega do diploma, com o fim do período de estudo, estudo e mais estudo (que me parecia tãaao longo). Eu pensava que quando “a idade adulta” chegava a gente tinha muito mais segurança, muito mais certezas. Que seria muito mais independente de família, de passado, de pai e mãe. Que enfim, estaria cuidando de mim e das minhas coisas 100% sozinha.
Eu me lembro da menininha aérea e sonhadora que fui, que cantarolava e despatalava as margaridas do jardim, que girava nas saias dos vestidos, que usava laços no cabelo e sonhava com o príncipe encantado e, na maioria do tempo, não a enxergo dentro de mim. Mais, acho que ela ficaria tão desapontada com algumas coisas, com a profissão por vezes tão árida que escolhi, o guarda-roupa com poucas saias e vestidos, a ausência de perfeição do mundo real. A quantidade de medos e dúvidas que me povoa.
Acho que ela olharia pra mim e diria: “Ei, não era pra você ser adulta? Não era pra ter virado escritora? Aliás, não era pra você estar se casando, aos 24 anos? Não era esse o plano”. É, era esse o plano. Em todos os testes e brincadeiras infantis, essa era a idade que eu preenchia. 24 anos, quando a minha mãe se casou (não que isso tenha dado muito certo pra ela, mas enfim). Eu teria que olhar pra menina que fui e dizer “olha, minha querida... na verdade eu ainda estou bem distante do casamento.” Eu também tentaria explicar a ela que, pensando como a adulta que ela espera que eu seja, não há do que reclamar. Eu tenho um bom emprego, os melhores amigos que poderia desejar, um amor que não é perfeito e um namorado que não é príncipe, mas que são, ambos, bons o suficiente. Eu tentaria ensinar a ela que no mundo adulto, “Sempre há algo que falta. Guarde isso sem dor embora, em segredo, doa.”**
Mas pensando bem, talvez eu simplesmente devesse pedir a ela pra relaxar e aproveitar, e não tentar explicar ou ensinar nada. Talvez pedir pra ela ser mais criança, se preocupar menos com o futuro e parar de adivinhá-lo ou prevê-lo tanto.
Não, eu não pediria pra ela praticar esportes, me lembro bem demais do pavor que essa ideia provocava. Nem diria pra ela aprender a andar de bicicleta, se dedicar mais à matemática, nada disso. Pelo contrário, eu diria pra ela respeitar os próprios limites e não se martirizar por eles existirem. E só.
** reza a lenda (ou melhor, a internet), que o trecho é da Clarice.
I’ve been struggling, fighting, carrying the world on my shoulders, trying to beat genetic conditions and stay sane. I've been enjoying, floating around, dancing on the tops of buildings. Acknowledging my good fortune, feeling grateful and blessed, in love with all the places I've been, with all of the friends I've made.
Really lucky, really patient. Very hard on myself, very soft on others. I'm green but wise, free but focused, brave but chickenshit. Especially this last one.