quarta-feira, dezembro 26, 2007

Achado


Pra mim, na miiiinha humilde, leiga e personalíssima opinião, parece Mombojó. O que é uma coisa muito boa, mas eu geralmente não gosto de fazer comparações musicais (tem coisa mais chata que definir o som de alguém dizendo "parece tal outra coisa"?). Enfim: esqueça o que eu disse e fique com as palavras deles
.
"VALIDUATÉ: é que o mar só fala de boca cheia. Como um bando de gente livre pelo coração arrebatado: atitudes líricas, bregas e complexo de épico. Uma música com filosofia de pára-choque de caminhão. Um lugar de um tempo-espaço instigante do fantástico: Validuaté: desformação de seis caras do terceiro mundo nordestino - Piauí: cidades de União e Teresina: pensando nos movimentos vários das culturas do resto do mundo."
Escute e aprecie por si mesmo. Achei uma delícia!


“Ela só quer ser, mas o pior é que ela é”

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Natal, é?
Dois mil e oito? Hein? Quê isso?

Não é que esse país permita que qualquer pessoa se esqueça do natal. Impossível. “We wish you a merry christmas”, “jingle bells”, “white christmas” e todas as outras tocam, o dia todo, em todos os lugares, em todas as versões já gravadas. Ainda vão provar cientificamente que essas músicas têm mensagens subliminares incentivando o consumo, apenas perceptíveis pelo nosso subconsciente. Extremamente eficientes.

Não é que faltem luzinhas, filmes natalinos, neve na TV, bons velhinhos, cheiro de canela, decorações mil, vermelho e verde... não é por ausência de nada material. É mesmo o mosquitinho do natal que não me picou esse ano. O do ano novo muito menos, o que me parece mais estranho ainda. Sabe, eu geralmente sou a maníaca do ano novo. Das resoluções e metas escritas e elencadas impreterivelmente até o dia 31, dos balanços de prós e contras, das retrospectivas, das superstições, das crenças. Aquela que pesquisa numerologia, astrologia, I ching, tarot, oráculos todos. Ano novo é coisa séria pra mim. Ao menos costumava ser.

Dessa vez, a tempestade atingiu até isso. Não deixou mesmo pedra sobre pedra. Com tanta mudança, com tanto armário e baú revirado dentro de mim, a vontade de brincar de “adeus ano velho, feliz ano novo” também não sobreviveu. Pela falta de tempo, pela falta de chão e de raiz, pela mudança de clima, oxigênio e ambiente, pela reviravolta toda. Por tudo junto e misturado, tão misturado dentro de mim. Plantas, flores precisam criar raiz, sabem? Precisam de alguma segurança.
Eu já sei que nunca mais vou ser a mesma, e não apenas pela mania já adquirida de polir talheres e dobrar guardanapos, não só pela experiência em arrastar carrinhos e carregar bandejas. “Good evening, room service!”. Eu já sei que nunca mais vou conseguir falar um “sorry” ou “hello, how are you doing?” sem cantar desse jeitinho falso americano, mas não é só isso. Eu nem sei o que é. Talvez seja tudo isso, talvez eu nunca mais consiga analisar e dissecar as minhas sensações e sentimentos como costumava fazer. Talvez daqui pra frente eu nunca mais seja capaz de me compreender, me regrar, me colocar na estante bonitinha, de perninhas cruzadas e sorriso cordial. Talvez esse maremoto interno, essa avalanche de novas sensações e paradigmas, esse tornado que se apoderou da minha casa e me impede de arrumá-la novamente, talvez essa coisa louca toda nunca mais me deixe ser a pessoa racional e equilibrada que me acostumei a ser.

Provavelmente eu ainda passe muitos anos pontuando meus textos com talvezes.

sábado, dezembro 15, 2007

Eu não pensei que a saudade fosse vir tão rápido. Não pensei que ia chegar tão cedo o dia de ligar pra minha mãe e chorar só de ouvir o “alô” do outro lado da linha­. Não pensei que imaginar a minha casa vaza fosse trazer uma dor tão palpável, tão concreta. Não pensei que iria molhar o teclado quando colocasse “Look on” pra tocar pela primeira vez, e principalmente, não pensei que esse dia viria menos de 15 dias depois da partida.

Eu sinto muito mais falta do Brasil do que pensei que sentiria. Eu tenho muito mais dor e muito mais ausência dentro do peito do que pensei que poderia carregar. E o que antes era melhor nesse momento é o pior de tudo: esse é só o início.
Hoje é apenas mais um dia.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Semana passada

Partir é sempre uma forma de morte. De final de filme, “the end” na tela, créditos subindo. Eu já fui embora em número de vezes suficiente pra reconhecer essa sensação de que as coisas nunca mais serão as mesmas, de que existe um mundo ficando pra trás. Partir é sempre um deixar pra trás. Pessoas, lugares, sons, sabores. Saberes, certezas.
A verdade é que três meses é quase nada. Tempo ínfimo numa vida de 22 anos (que por sua vez também é tão pequena). Mas agora, neste momento, 3 meses é tudo. É todo o futuro que conseguimos prever, é a única definiçao, a única data que temos. Agora, enquanto espero a hora do embarque no aeroporto de Guarulhos, 3 meses é tudo.

...

Poltrona 32 J, janela, São Paulo – Miami. Agora é mais de verdade que nunca. As televisões do avião mostram cenas de natureza e toca uma musiquinha new age de aula de Yoga.
Meu pescoço ainda dói da batida de carro de ontem. Mas agora, ainda agora, me parece que isso tudo tá acontecendo na vida de outra pessoa. Os hematomas e picadas de inseto que não sei de onde vieram, minhas malas que guardam coisas tão pouco minhas. E o meu esgotamento com todos os preparativos e acontecimentos dos últimos tempos. Mesmo este não me parece totalmente meu.

Mas é hora de levantar vôo.

sábado, dezembro 01, 2007

E somos todas iguais....

"Meu Miguel

Eu sei que vou voltar, mas antes de ir queria ter tido tempo de ter te conhecido melhor, de ter convivido mais com você. De ouvir muitas vezes a sua voz, saber seu prato preferido, decorar seu número de telefone, conhecer seus defeitos, manias e falhas. Queria ter sido surpreendida com mensagens no meio do dia, só para ter a certeza de que eu não estava sendo esquecida. Brincar com os seus cachorros, andar no shopping de mão dada, cochilar no sofá da sala.
Eu queria que você tivesse ido a minha chácara, entrado na piscina comigo e que voltasse dirigindo meu carro, enquanto eu cantava uma música bem calminha com a minha voz rouca e desafinada.
Você é o homem que eu queria ter tido tempo de me apaixonar e ter tido tempo de ser correspondida, daquele jeito que as pessos olham pra gente e morrem de vontade de estar no nosso lugar.
Eu queria exibir no orkut uma foto nossa em que estivesse estampada a nossa felicidade, eu queria ter orgulho de ter você.
Deixo essas mal traçadas linhas para o dia que eu voltar, pois tenho certeza que elas estarão valendo. Porque mesmo que se passe um tempo ou que mude tudo, eu tenho certeza que será impossível deixar de admirar seu sorriso perfeito, seus olhos verdes e seu jeitinho de falar coisas deliciosas e me abraçar.

A saudade me mata desde já.


T.P."