Torçam pra que chegue nos cinemas do Brasil, a previsão era pro dia 07/12 mas o Cinemark não anuncia nada ainda =/Eu vou comprar o meu lá e continuar torcendo pra que os musicais caiam no gosto popular (e entrem na moda) por aqui também.
[do Lat. Ventura] 1. Fortuna boa ou má; destino, sorte, acaso, 2. Fortuna próspera; boa sorte; felicidade, 3. Risco; perigo.
* "À ventura". À toa; ao acaso; a esmo.
É que, você sabe (não, não sabe), em exatos quinze dias eu vou nascer de novo. Blank page, brand new start, primeiro capítulo, episódio piloto. Talvez pela primeira vez nessa história presente (e provavelmente última, já que ela se aproxima a passos rápidos de um final), eu sei que uso essas metáforas todas e elas não são hipérboles minhas. Não reconheço nessas mal digitadas linhas aquela antiga síndrome de Maria do Bairro. A foto não foi editada, as cores não foram saturadas. Dessa vez é tudo puro, simples e real.
Então releio tudo com medo de parecer um daqueles nerds de colégio americano que gravam vídeos no You Tube antes de sair pra aula carregando a metralhadora. Também não é morbidez o sentido da coisa. A palavra, se é que é possível resumir em uma, é renascimento. Embora eu ache essa palavra bem brega...
O Moska canta “Essa é a última solidão da sua vida, aproveite e cure a última ferida... E nunca mais solidão.” Isso sempre me pareceu pesado demais. Hiperbólico mesmo. Agora procuro uma música com versos mais fortes pra me identificar. Mesmo porque ficar livre de toda e qualquer solidão, pra sempre, desse jeito... é ilusão né meu povo, vamo combinar. Depois porque preciso de algo que represente o fim não só de um sentimento, de um fantasma, de uma dor. Preciso de algo que represente o avesso do avesso do avesso. De mim.
Então eu tô mesmo indo embora. Que seja por três ou seis ou doze meses, que seja por muitos anos. Que sejam apenas férias ou um recomeço definitivo. Agora realmente não importa. Importa que o leque de possibilidades está aí na minha frente, aberto, reluzente e variado como um belo pavão.
De qualquer forma, independente de duração, a verdade é que naquela curva lá na frente eu não serei mais essa pessoa aqui. Talvez não o fosse mesmo que continuasse no mesmo lugar, sentada na minha escrivaninha, deitada na minha cama. Eu sei, sei que as mudanças me invadiriam mesmo que eu não pegasse um avião e não atravessasse um oceano em 15 dias. Mas como eu vou pega-lo, elas me são muito mais reais, concretas, palpáveis. Se esticar um pouco os braços eu posso sentir a textura das mudanças.
Tenho vontade de fazer como o Charlie no fim da terceira temporada do Lost e enumerar meus Greatest Hits até o presente momento, porque não sei em que proporção a pessoa nova vai tomar espaço aqui dentro, mudando as cores, apagando os traços, desbotando as lembranças da pessoa velha.
Talvez você, memória forte e pulsante, lá na frente já tenha esmorecido. Talvez o rol de grandes pessoas, de melhores músicas, de momentos mais marcantes, de datas especiais, todos eles, sejam pura e simplesmente apagados, zerados. Talvez, e provavelmente, todas as dores sentidas até aqui sejam substituídas por outras novas.
De repente eu tenho medo. De nunca mais ter ouvidos pras músicas que me tocam agora, de nunca mais sentir o mesmo prazer com as coisas mais simples, de nunca mais gostar das minhas roupas antigas, dos meus antigos heróis, dos meus velhos hábitos. Dos meus velhos amores guardados nos baús empoeirados. Cuidadosamente guardados.
Mas eu acho que encontrei uma música. Pelo menos por hoje.

Essa semana um texto meu foi publicado na Cashmere Bouquet Chronicles, a coluna de quarta-feira do meu blog de cabeceira, o Mme Mean.
Eu, blogueira fantasma que sai lendo tudo por aí sem deixar muitos comentários pelo caminho, tomei um super susto, daqueles gostosos e estranhos, sabe?! Memória inconsciente da história maluca (e bonita e feia, estranha e simples, longa e curta, forte e fraca, tudo ao mesmo tempo) que uma vida passada blogueira me trouxe. Estremeci. O anonimato me parece às vezes tão seguro, a “invisibilidade” tão confortável. Tinha me esquecido do outro conforto, aquele que vem nas palavras queridas. A postagem de quarta me rendeu palavrinhas muito mágicas. É diferente, tão diferente do mundo real esse negócio de ouvir e ler coisa boa de quem não nos conhece, de quem não tem a mínima obrigação de gostar da gente, de quem vai com a sua cara sem ver a sua cara.
O melhor, e ao mesmo tempo o mais surpreendente pra mim, é que esse post escolhido, em especial, é das coisas mais pessoais e específicas que já publiquei. Fui relendo e achando engraçado que as pessoas tenham se identificado com aquelas palavras, aqueles exemplos de coisas tão reais pra mim: os óculos vermelhos, a vitrola, o carro velho, Los Hermanos, os meus pais e quem estiver com eles. Putz, não é tão simples assim gostar dos meus pais e de quem estiver com eles, sabia?
Fui aos poucos me lembrando de como a crônica surgiu. Me olhei no espelho num dia qualquer, bem um desses dias em que a gente tá de cabelo preso pra cima de qualquer jeito, de óculos de grau porque deu preguiça de colocar as lentes... Um dia em que a gente não tá bonita, definitivamente. Mas se sente bonita. Sorri pro espelho e vê beleza naquele sorriso sem batom, no formato das sombrancelhas (o mesmo de sempre), nos brincos balançando.
Me lembro de olhar pra mim e pensar no quanto queria alguém que me visse com aqueles olhos ali, daquele momento. Que me achasse naturalmente bonita, que realmente gostasse de me assistir fazendo coisas banais, que achasse bonito o meu jeito de lavar louça ouvindo música no MP3, me balançando de leve. Alguém que gostasse das minhas veias azuis demais, da fragilidade dos meus pulsos e da força das minhas unhas, que raramente quebram, que arranham sem querer e por querer. Olhei pros meus quadris largos, pro meu nariz, pros meus molinhos todos que nunca serão tonificados, pra minha pele branca que nunca vai ter aquela cor de revista Boa Forma... E quis alguém que pudesse gostar deles. Porque às vezes eles chegam a precisar disso.
Tem uns dias em que a gente nem precisa do calor de uma paixão, da solidez de um amor... Em alguns dias tudo que a gente quer é o calorzinho manso de um gostar.