Semana passada
Do meio da minha certa e inabalável coragem, do centro desse meu perfil de guerrilheira que vai e faz e dá a cara a tapa e não teme nada nem ninguém, da meiuca desse meu jeito que não se abala e topa tudo que a vida mandar, lá, bem no núcleo, mora a minha exceção. O medo da dor. De dentro de todo o meu destemor, dos meus brios e valentias, lá, surgindo lá do meio do meu ser, mora a parte podre. O desespero que me consome, a covardia que me enfraquece e envergonha, a fobia incontrolável e incompreensível... de sentir dor. De me envolver, me permitir sentir, de soltar as amarras que me prendem e afrouxar a armadura que me protege do mundo e.... me ferir. Como se eu andasse no meio de um corredor coberto de adagas, espadas e lanças, como se rastejasse uma naja pelo meu travesseiro e a ferida, fatal, venenosa, derradeira, fosse só uma questão de tempo. Medo maior do mundo de no fim doer, de doer no início, de machucar profundo e amargo e me deixar o peito aberto, sangrando e ardendo. Medo, medo, medo. Do gume da faca, da profundidade do corte. Receio? Receio é friozinho pouco na barriga, a gente controla. Isso aqui que me corta a carne, me revira o estômago até dar azia e provocar a fúria da minha hérnia de hiato... isso aqui é pânico, e nada menos que isso.
segunda-feira, maio 14, 2007
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