segunda-feira, novembro 19, 2007

The time is coming


Eu queria saber falar com clareza e precisão sobre esse momento. Eu queria me sentar aqui, olhar pra essa “folha” em branco e não ficar parada sem saber como começar. Nem que fosse pra um dia poder voltar os olhos pra trás e me lembrar com exatidão do gosto que tinham esses dias, esses últimos momentos.

É que, você sabe (não, não sabe), em exatos quinze dias eu vou nascer de novo. Blank page, brand new start, primeiro capítulo, episódio piloto. Talvez pela primeira vez nessa história presente (e provavelmente última, já que ela se aproxima a passos rápidos de um final), eu sei que uso essas metáforas todas e elas não são hipérboles minhas. Não reconheço nessas mal digitadas linhas aquela antiga síndrome de Maria do Bairro. A foto não foi editada, as cores não foram saturadas. Dessa vez é tudo puro, simples e real.

Então releio tudo com medo de parecer um daqueles nerds de colégio americano que gravam vídeos no You Tube antes de sair pra aula carregando a metralhadora. Também não é morbidez o sentido da coisa. A palavra, se é que é possível resumir em uma, é renascimento. Embora eu ache essa palavra bem brega...

O Moska canta “Essa é a última solidão da sua vida, aproveite e cure a última ferida... E nunca mais solidão.” Isso sempre me pareceu pesado demais. Hiperbólico mesmo. Agora procuro uma música com versos mais fortes pra me identificar. Mesmo porque ficar livre de toda e qualquer solidão, pra sempre, desse jeito... é ilusão né meu povo, vamo combinar. Depois porque preciso de algo que represente o fim não só de um sentimento, de um fantasma, de uma dor. Preciso de algo que represente o avesso do avesso do avesso. De mim.

Então eu tô mesmo indo embora. Que seja por três ou seis ou doze meses, que seja por muitos anos. Que sejam apenas férias ou um recomeço definitivo. Agora realmente não importa. Importa que o leque de possibilidades está aí na minha frente, aberto, reluzente e variado como um belo pavão.

De qualquer forma, independente de duração, a verdade é que naquela curva lá na frente eu não serei mais essa pessoa aqui. Talvez não o fosse mesmo que continuasse no mesmo lugar, sentada na minha escrivaninha, deitada na minha cama. Eu sei, sei que as mudanças me invadiriam mesmo que eu não pegasse um avião e não atravessasse um oceano em 15 dias. Mas como eu vou pega-lo, elas me são muito mais reais, concretas, palpáveis. Se esticar um pouco os braços eu posso sentir a textura das mudanças.

Tenho vontade de fazer como o Charlie no fim da terceira temporada do Lost e enumerar meus Greatest Hits até o presente momento, porque não sei em que proporção a pessoa nova vai tomar espaço aqui dentro, mudando as cores, apagando os traços, desbotando as lembranças da pessoa velha.

Talvez você, memória forte e pulsante, lá na frente já tenha esmorecido. Talvez o rol de grandes pessoas, de melhores músicas, de momentos mais marcantes, de datas especiais, todos eles, sejam pura e simplesmente apagados, zerados. Talvez, e provavelmente, todas as dores sentidas até aqui sejam substituídas por outras novas.

De repente eu tenho medo. De nunca mais ter ouvidos pras músicas que me tocam agora, de nunca mais sentir o mesmo prazer com as coisas mais simples, de nunca mais gostar das minhas roupas antigas, dos meus antigos heróis, dos meus velhos hábitos. Dos meus velhos amores guardados nos baús empoeirados. Cuidadosamente guardados.

Mas eu acho que encontrei uma música. Pelo menos por hoje.


4 comentários:

O Profeta disse...

Tem um particular encanto o teu espaço...


Beijinho

. samanta vanz . disse...

acho que sempre é preciso recomeçar.
seja reciclando ideais, saindo de férias, ou encontrando uma nova trilha sonora para marcar a vida...
mas nunca é fácil. não é simples como parece nem leve como deveria ser. mas como vc mesma disse: é puro e real.

gostei muito deste post, pq marca alguns medos que eu tbm tenho enfrentado.

bessos e muita sorte, luz e paz na sua caminhada...

Anônimo disse...

E eu entendo tudo. E que você me entenda. Ainda é tempo?

D. Bueno

Ventura disse...

é você mesmo?