segunda-feira, setembro 21, 2009

Motherfucker Inferno-Astral


O que me preocupa e me angustia a ponto de quase me roubar o ar, é pensar que esse cansaço da vida pode não passar magicamente ao soar das 12 badaladas do dia 26. Talvez essa inércia e essa desilusão, esse frio interno, essa dúvida atroz, essa vontade de fugir do mundo e jogar tudo pro alto, de comprar tudo novo e jogar todo o velho fora, de sair da rotina e nunca mais voltar... talvez nada disso passe. Talvez todas as insatisfações se mantenham, todas as discussões se repitam, todos os vazios aumentem. Talvez o dinheiro continue me escapando por entre os dedos, talvez o tempo continue sendo inútil, o trabalho continue maçante, a minha cara continue a mesma e os quilos não parem de se acumular nos meus quadris.
O dia 26 vai vir e ir embora, os 24 anos vão se completar, mas amar não vai deixar de ser difícil. E a vida não vai deixar de me exigir toda a paciência que eu puder ter, e o mundo não vai parar de girar nesse ritmo que agora me impacienta. Ah, se ao menos eu pudesse girar a parede interna do tempo pra fazê-lo pegar no tranco e girar mais rápido, como eu faço com a minha velha máquina de lavar roupas...
Mas não, o dia 26 vai chegar e eu não vou poder fazer o tempo passar mais devagar nos fins de semana e mais rápido nas segundas e terças-feiras, e nem vou poder tirar férias. Nem do trabalho, nem da vida, nem de mim.


E talvez não me venha nenhum gosto renovado pela vida, nenhum interesse novo pelo processo de crescimento e evolução interna, nenhum bom humor repentino e profundo. Principalmente se o céu continuar tão cinza e chuvoso.


É provável, muito provável, que eu faça 24 anos e nada mude. E é isso que me apavora. 
 

Um comentário:

T. disse...

Amiga, se você pensar bem, não vai mudar na forma repentina mesmo.
Se você pensar bem, as coisas vão mudando aos poucos e devagar, mas nunca estão paradas.
Pensa bem e tenta se lembrar de como era sua vida a 1 ano atrás, a 6 meses atras, a 2 semanas atras. Vai mudando.

Só não tenha medo dessas mudanças, desses gostos, dessas diferenças, dessa vida.
Isso é a vida!
A gente só não pode ter medo de viver.