Às vezes eu queria escapar, e só. Dessa estrutura desestruturada que pesa tão mais pro meu lado, desse esquema unilateralmente dividido, desse acordo tácito no qual as obrigações são minhas em sua grande maioria, mas a autoridade não, nunca. Os ônus são todos meus, os bônus, muito poucos.
Às vezes eu me imagino pegando as minhas coisas e o meu salário e indo embora. Estranho, essa casa não funciona tão bem pra mim mais, não com essa divisão de espaços e funções na qual eu saio com tanto prejuízo. Eu não quero mais carregar ninguém. Eu graças a Deus não tenho filhos ainda, e estou cansada de ter que agir e pensar como se tivesse. Cansada de ser a primogênita, de ser a responsável, a prática, a adulta. A única adulta no meio da bagunça. Cansada dos 3 anos de diferença que se transformaram em 6, que nos afastaram tanto em deveres e direitos, em valores e bons sensos, em maturidade e autonomia. E eu que sempre me omiti, nunca me posicionei, nunca me impus, nunca quis assumir de vez esse papel que de fato não era meu, mas acabou se tornando. Sim, na prática eu me tornei a mãe, e, talvez por saber da falta de saúde nessa inversão de papéis, eu tenha decidido fingir que não. Mas hoje o peso me entorta a coluna, a falta de justiça e harmonia nesse esquema me sufocam. Se é pra ser mãe de família, que eu crie a minha. Que eu assuma o papel quando ele for meu de direito, pra que então me sinta no direito de cobrar o que precisa ser cobrado, de definir e conduzir o barco sem parecer uma déspota injusta. De ser dona da casa e não criada.
Mas eu preciso parar de fugir.
segunda-feira, novembro 16, 2009
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