
Na verdade eu não me apaixonei por você. Me apaixonei pelo efeito que você me causa, pelo efeito que deixei que você me causasse. Na verdade, me apaixonei pelo efeito que INVENTEI que você me causaria, mesmo antes de te ver de perto e te olhar nos olhos, mesmo antes de memorizar a sua voz, de ouvir tuas palavras e ver se prestavam mesmo pra alguma coisa. Me apaixonei pela história e pela pessoa que criei aqui nessa imaginação tão fértil, pelas cenas que imaginei e decidi que serão reais, e que terão a sua presença. Não é pela sua boca que eu suspiro e aguardo, é pelos arrepios e prazeres que ela vai, que eu cismei que vai, trazer pra minha boca, pro meu pescoço, pra minha nuca, pra mim como um todo.
Não, eu nem sonho com o seu sorriso. Sonho com os sorrisos que ele vai trazer pro meu rosto, espero e anseio pelo brilho que refletirá nos meus olhos quando eu olhar pro seu rosto de baixo pra cima, mas não por causa do seu rosto. Por causa da minha alegria em olhar pro seu rosto.
Não é egoísmo, juro. É paixão inventada, deliberadamente criada, total e completamente IMAGINADA por esse meu coração maluco. Que se cansou de não ver graça nem cor em ninguém, que se encheu de ficar paradinho sem trilha sonora nem adrenalina, que não agüentava mais hibernar. Lamento tanto informar que na verdade, não é de você que eu gosto, é da pessoa que criei. Estou apaixonada por aquele painel de restaurante de beira de estrada que pintei, decorei e produzi, aquele que tinha um buraco no meio onde eu enfiei a sua carinha. Não é por você.
E eu sinto tanto por ter que reconhecer isso, por ter que me assumir tão maluca, tão psicopata e tão... humana. Mas ao mesmo tempo, me tranqüilizo. Quem inventa desinventa, afinal
Não, eu nem sonho com o seu sorriso. Sonho com os sorrisos que ele vai trazer pro meu rosto, espero e anseio pelo brilho que refletirá nos meus olhos quando eu olhar pro seu rosto de baixo pra cima, mas não por causa do seu rosto. Por causa da minha alegria em olhar pro seu rosto.
Não é egoísmo, juro. É paixão inventada, deliberadamente criada, total e completamente IMAGINADA por esse meu coração maluco. Que se cansou de não ver graça nem cor em ninguém, que se encheu de ficar paradinho sem trilha sonora nem adrenalina, que não agüentava mais hibernar. Lamento tanto informar que na verdade, não é de você que eu gosto, é da pessoa que criei. Estou apaixonada por aquele painel de restaurante de beira de estrada que pintei, decorei e produzi, aquele que tinha um buraco no meio onde eu enfiei a sua carinha. Não é por você.
E eu sinto tanto por ter que reconhecer isso, por ter que me assumir tão maluca, tão psicopata e tão... humana. Mas ao mesmo tempo, me tranqüilizo. Quem inventa desinventa, afinal
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