sexta-feira, novembro 09, 2007

o Gostar

Essa semana um texto meu foi publicado na Cashmere Bouquet Chronicles, a coluna de quarta-feira do meu blog de cabeceira, o Mme Mean.

Eu, blogueira fantasma que sai lendo tudo por aí sem deixar muitos comentários pelo caminho, tomei um super susto, daqueles gostosos e estranhos, sabe?! Memória inconsciente da história maluca (e bonita e feia, estranha e simples, longa e curta, forte e fraca, tudo ao mesmo tempo) que uma vida passada blogueira me trouxe. Estremeci. O anonimato me parece às vezes tão seguro, a “invisibilidade” tão confortável. Tinha me esquecido do outro conforto, aquele que vem nas palavras queridas. A postagem de quarta me rendeu palavrinhas muito mágicas. É diferente, tão diferente do mundo real esse negócio de ouvir e ler coisa boa de quem não nos conhece, de quem não tem a mínima obrigação de gostar da gente, de quem vai com a sua cara sem ver a sua cara.

O melhor, e ao mesmo tempo o mais surpreendente pra mim, é que esse post escolhido, em especial, é das coisas mais pessoais e específicas que já publiquei. Fui relendo e achando engraçado que as pessoas tenham se identificado com aquelas palavras, aqueles exemplos de coisas tão reais pra mim: os óculos vermelhos, a vitrola, o carro velho, Los Hermanos, os meus pais e quem estiver com eles. Putz, não é tão simples assim gostar dos meus pais e de quem estiver com eles, sabia?

Fui aos poucos me lembrando de como a crônica surgiu. Me olhei no espelho num dia qualquer, bem um desses dias em que a gente tá de cabelo preso pra cima de qualquer jeito, de óculos de grau porque deu preguiça de colocar as lentes... Um dia em que a gente não tá bonita, definitivamente. Mas se sente bonita. Sorri pro espelho e vê beleza naquele sorriso sem batom, no formato das sombrancelhas (o mesmo de sempre), nos brincos balançando.

Me lembro de olhar pra mim e pensar no quanto queria alguém que me visse com aqueles olhos ali, daquele momento. Que me achasse naturalmente bonita, que realmente gostasse de me assistir fazendo coisas banais, que achasse bonito o meu jeito de lavar louça ouvindo música no MP3, me balançando de leve. Alguém que gostasse das minhas veias azuis demais, da fragilidade dos meus pulsos e da força das minhas unhas, que raramente quebram, que arranham sem querer e por querer. Olhei pros meus quadris largos, pro meu nariz, pros meus molinhos todos que nunca serão tonificados, pra minha pele branca que nunca vai ter aquela cor de revista Boa Forma... E quis alguém que pudesse gostar deles. Porque às vezes eles chegam a precisar disso.

Tem uns dias em que a gente nem precisa do calor de uma paixão, da solidez de um amor... Em alguns dias tudo que a gente quer é o calorzinho manso de um gostar.

3 comentários:

Anônimo disse...

ahhhhhh.
primeiramente parabens pela oublicação do teu texto, e en segundo fico feliz por ter se encaixado tao bem la.
nao some flor.
bju

Trinity disse...

Ai, coisa boa encontrar ouro de mina sem nem ter que garimpar. Gente que vai com a nossa cara sem nem ver a nossa cara :) É engraçado mesmo essa coisa da identidade. Porque vc vai escrevendo e eu sei direitinho o que vc tá falando. Eu já me vi de relance, de moleton, cabelo pra cima, meus óculos vermelhos (é, achei graça) e me achei bonita naquela crueza, bonita assim de uma beleza que carece de olhar de artista. E também quis que alguém me visse com aquela lente, que me amasse nas minhas coisinhas, meus jeitinhos, apesar da minha branquelice, minhas unhas fortes, meu quadril largo, meus "molinhos" (gente, mas tá parecido demaaais comigo).

É um prazer de conhecer, F. Me contabilize na lista das pessoas que te querem bem. Um buquê de abraços pra vc!

Anônimo disse...

Sempre soube brincar bem com as palavras. Brilhante.

D.Bueno