sexta-feira, setembro 12, 2008

Unconditional Surrender




Não sei que efeito é esse que você tem em mim. Aliás, não sei que efeito é esse que só você tem e eu não consigo achar ninguém mais que tenha, e olha que eu tenho me forçado e me esforçado tanto. E ôrra, tenho procurado tanto...


A sua foto me persegue e eu dou de cara com você até quando não esperava. E aí parece que é você de verdade e não uma foto idiota, parece que você tá mesmo ali me vendo acordar, costurar, cantar, me assistindo trocar de roupa.... até que eu tampo o seu rosto com outra foto pra não me assustar mais com esse seu olhar tão seu, pra parar de tropeçar no seu meio sorriso e perder o rumo o dia todo.
E aí você me aparece de novo. Na televisão, na cara de outros caras, no jeito de um outro qualquer. E eu começo a rir de nervoso, me perguntando se aquele sorriso parece mesmo o seu ou se inventei isso pra mim mesma, se já te vi fazendo aquilo ou se foi obra da minha imaginação. Se eu voltei mesmo a ter 13 anos ou é só uma loucura passageira.
É pra entender essa fixação que eu queria te ver, que eu acho até que precisava te ver. Pra ferrar tudo de vez pro bem ou pro mal, porque eu com essa mania de auto-análise já concluí que, qualquer que seja a minha reação (física e química), vai foder tudo de vez. Sim, porque se for tudo aquilo de verdade e se você me provocar mesmo aquelas explosões internas, e se as suas mãos e suas sardas se convalidarem como meus maiores objetos de desejo, eu não sei como vou poder voltar pro mundo real. E não sei o que vou fazer com a total impossibilidade de ter você pra mim, seja no nível que for, e não sei como vou voltar pra minha fila de nerds, ogros e possibilidades tão menos prazerosas e competentes que você.
E se você for um mito que eu criei (mais um), e se não tiver nada do que eu guardo aqui na lembrança (ou na imaginação, vai saber), e se ter você for irrelevante e desinteressante como ter os outros... aí eu não sei o que faço comigo mesma! E não sei onde enfio essa minha sede, essa luxúria que veio morar dentro de mim desde você, e que nunca mais foi plenamente satisfeita.
Eu já sei que de uma forma ou de outra você vai acabar comigo, mas eu corro pra você mesmo assim. “Eu te procuro até não poder mais. Na internet, bares, nos jornais... Trombar você é o que eu quero mais.” Porque eu preciso acabar com você também, de alguma forma, e preciso me jogar e dar cabo a essa angústia, a esse vazio e essa total falta de tempero, essa total ausência de borboletas no meu estômago. Eu preciso te gastar e te sugar até a última gota, até esfolar, até afinar, até que eu não agüente mais nem olhar na sua cara. Porque eu preciso chegar nesse ponto, eu preciso ir até o fim.
É aí que eu me acovardo. Quando olho pra mim e vejo esse desespero crônico, eu penso que não tenho condição nenhuma de te ver de perto, de estar e falar com você de fato, no mundo real. E me dá um medo absurdo de que essa mania de você esteja óbvia demais, escrita em letras garrafais na minha testa. Medo dos seus olhos verde-escuros me decifrarem, reconhecerem a minha total submissão a toda e qualquer vontade sua, minha absoluta disposição de realizar todo e qualquer fetiche seu. E ao mesmo tempo, vontade de que isso tudo aconteça sim, de que você enxergue e entenda o seu poder e me abuse logo, me queime até a última ponta, sem piedade ou pudor, sem moral. Bem do nosso jeito.

Eu odeio, amo e temo tanto essa bagunça que você faz dentro de mim. Essa completa contradição que eu me tornei desde que você resolveu montar acampamento na minha cabeça, derrubando cercas, fincando bandeiras. Não há prece, medida liminar ou polícia militar que te arranquem daqui e, na verdade... na verdade eu nem sei se quero que você saia.


What a beautiful mess this is....

2 comentários:

T. disse...

neneeeem
abstria a parte de fetiches.
sério mesmo.

e use e abuse, se lambuze mesmo.
se ele te sugar, vc suga mais.

vc tem saída, ele não tem!

=*

Bárbara M.P. disse...

Bons ventos os que aqui me trouxeram...
Belos textos.