quarta-feira, outubro 01, 2008

Uma bala em cada joelho



A verdade é que eu já gosto tanto de você. Mais do que eu provavelmente deveria, mais do que gosto, geralmente, dos outros. Mais do que estou acostumada a gostar. E mais a cada dia, 100% mais quando você me deixa depoimentos preocupados, com mil justificativas pra qualquer coisa pequena (ou grande, até), 150% mais quando você termina-os falando “se você ainda quiser me ver eu queria ir aí hoje”, 200% mais quando você liga no meio da tarde de segunda feira, e eu sinto um alívio quase físico só por saber que não vou precisar esperar até o fim de semana pra falar com você de novo. E 300% mais quando você toca o meu interfone nessa mesma noite de segunda, com 3 cervejas e essa sua cara de menino que adoro tanto, e que tenho vontade de morder e apertar até sufocar. E um tantinho mais com cada frase ou cara fofa que você faz, e elas são tantas.

E mesmo nas coisas que não gosto, mesmo quando você fuma um cigarro atrás do outro, mesmo quando fica empolgado demais e rindo demais de uma coisa idiota, quando fala do “show da vida”, quando faz poses e diz coisas que eu sei que são dos seus amigos beldades/comedores, ou quando fala deles como se fossem os caras mais fodas da face da Terra... mesmo com essas coisas, mesmo que nessas horas eu segure o ar e pense “não faz isso porque eu vou me cansar de você, não fala essas coisas que vai perder o encanto”... não perde. No dia seguinte eu acordo já com uma saudadezinha e uma vontade de te ver e te beijar que vão crescendo ao longo do dia, que de noite já deixaram de ser agradáveis e passaram a me incomodar. Porque eu não sirvo pra isso e não me permito mesmo romancear tanto, porque eu corro quilômetros do envolvimento e da perda do controle. Porque eu não deixo, não vou, não pulo. Porque sim, você tinha razão... eu tenho medo.

E ao mesmo tempo eu pulo, de ponta. Não me seguro, não fujo de você, não consigo arquitetar e jogar. No fim eu faço tudo que quero fazer e te falo tudo que quero falar, no fim da noite eu fui exatamente eu mesma. E a gente sabe que essa historinha de “seja sempre você mesmo, não existem jogos ou teatros” é lenda. Quer dizer, eu tinha essa certeza... Mas agora, com você, é tudo tão natural, tão verdadeiro, tão sincero... que às vezes eu me belisco pra ver se é de verdade, e várias vezes ao dia eu fico esperando vir alguma coisa que estrague tudo, porque tá bom demais pra ser verdade. Me preparando pro pior, pro fim, pro final infeliz.

Eu sei, eu sei... eu sou a doente dessa história. Ôrra, eu sempre soube! A paranóica, a pessimista, a traumatizada, complexada. Aquela que tomou chifre demais e foi enganada DEMAIS pra conseguir se relacionar de uma forma saudável, aquela que um belo dia parou e aí ficou só observando... e viu que em toda a sua volta todo mundo só fazia sofrer, se machucar, se apoiar em relacionamentos falidos e doentios. Aquela que por fim desistiu, e resolveu se relacionar só na superfície e não se envolver de verdade nunca. Já tem alguns anos que eu sou essa pessoa, babe... você é que não sabe disso ainda.

Eu hoje escrevo e transbordo e entorno o copo cheio demais de sentimento, e falo tudo de você e publico pra ver se passa. E coloco essa foto aqui pra saber que ela tá exposta em algum outro lugar, e não necessariamente no meu fundo de tela mais. Já posso tirá-la de lá, não preciso mais ficar olhando pro seu pescoço e suas pintas tão minhas, já posso retornar ao equilíbrio, ao mundo real, a um estado mínimo de racionalismo e frieza (nossa, era tão fácil atingi-lo antes). Agora tá tudo aí, solto no mundo, e eu já posso respirar em paz.

Já vai, já vai passar. Tomara.

3 comentários:

Alien disse...

eu me pergunto sempre: será que um dia eu vou conseguir acreditar de novo?
às vezes, eu quero.
outras, morro de medo.
mas eu sei, tem mais graça quando a gente se permite acreditar. mesmo que possa ser uma desgraça!

Ceisa Martins disse...

Será que é isso mesmo que você quer... que passe???
Eu ta,be, sofri demais, me entreguei demais, chorei demais, amei demais... Perdi tempo demais. Mas não sei, conitinuo uma pateticamente-boba-totalmente-irremediavel crédula no amor.

Se esta bom, querida.. siga em frente!
O que passou, já foi... Agora é outra historia, outris personagens, outro desfecho, com sentidos e vontades totalmente destintos.

Boa sorte!

Beijos!

T. disse...

ooooorrra!!
só vi hoje esse post.

sem comentários.