I'm broke but I'm happy
Eu não vou mentir: doeu. Feriu de verdade, machucou mesmo, como a algum tempo não machucava. Eu não chorei (ao menos não muito), porque sei lá, acho que a fonte secou, mas a dor foi real. E eu não fingi nem pra mim mesma que tivesse sido insignificante, que tivesse sido só mais um, que não tivesse, dessa vez, me frustrado de verdade. Eu assumo: dessa vez eu acreditei, mesmo, que fosse ser diferente, que fosse dar certo, que fosse valer a pena. Pensei que agora sim, finalmente, não fosse ser mais um pseudo-relacionamentozinho descartável e superficial, como tantos que tive e vinha tendo. Eu acreditei de verdade, do fundo da minha alma, e acho que é isso que faz doer mais.
I'm brave but I'm chickenshit
Não vou me passar de durona dessa vez, nem dizer que vai ser preciso mais pra me abalar e me fazer cair porque eu já me congelei por dentro, porque “dessa vez eu já vesti minha armadura”. Não. A verdade é que dessa vez eu deixei entrar, a alegria e a dor, a expectativa e a angústia, os olhos brilhando de alegria e da mais profunda tristeza, as borboletas e depois, o soco na boca no estômago.
I'm sad but I'm laughing
“O homem bateu em minha porta e eu abri”. E ele decidiu ir embora e me deixar ali, sozinha no sofá da sala. Com a geladeira cheia de cerveja pro dia em que ele quisesse vir, com uma luz indireta e calculadamente fraca perto da cabeceira da cama e uma trilha sonora selecionada pro dia em que ele voltasse, com o quarto arrumado pra que ele pensasse que eu sou organizada. Mas ele não voltou.
E eu, desde então, toda vez que abro esse blog e olho pra foto dos meus pés contemplando o Atlântico norte, penso em alguma coisa a dizer que não isso, procuro algum texto nos meus arquivos que fale de qualquer coisa que não esse tema, que não o final triste e fraco dessa novelinha. Tão alheio à minha vontade. Sabe, eu nem sei quando tinha sido o meu último pé na bunda.
I'm short but I'm healthy, yeah
O fato é que eu tô indo. Em frente, com calma, pra outros lados. A dor maior já passou, e, apesar de eu ainda me sentir tão pequena e incapaz às vezes... tá passando.
Eu não vou mentir: doeu. Feriu de verdade, machucou mesmo, como a algum tempo não machucava. Eu não chorei (ao menos não muito), porque sei lá, acho que a fonte secou, mas a dor foi real. E eu não fingi nem pra mim mesma que tivesse sido insignificante, que tivesse sido só mais um, que não tivesse, dessa vez, me frustrado de verdade. Eu assumo: dessa vez eu acreditei, mesmo, que fosse ser diferente, que fosse dar certo, que fosse valer a pena. Pensei que agora sim, finalmente, não fosse ser mais um pseudo-relacionamentozinho descartável e superficial, como tantos que tive e vinha tendo. Eu acreditei de verdade, do fundo da minha alma, e acho que é isso que faz doer mais.
I'm brave but I'm chickenshit
Não vou me passar de durona dessa vez, nem dizer que vai ser preciso mais pra me abalar e me fazer cair porque eu já me congelei por dentro, porque “dessa vez eu já vesti minha armadura”. Não. A verdade é que dessa vez eu deixei entrar, a alegria e a dor, a expectativa e a angústia, os olhos brilhando de alegria e da mais profunda tristeza, as borboletas e depois, o soco na boca no estômago.
I'm sad but I'm laughing
“O homem bateu em minha porta e eu abri”. E ele decidiu ir embora e me deixar ali, sozinha no sofá da sala. Com a geladeira cheia de cerveja pro dia em que ele quisesse vir, com uma luz indireta e calculadamente fraca perto da cabeceira da cama e uma trilha sonora selecionada pro dia em que ele voltasse, com o quarto arrumado pra que ele pensasse que eu sou organizada. Mas ele não voltou.
E eu, desde então, toda vez que abro esse blog e olho pra foto dos meus pés contemplando o Atlântico norte, penso em alguma coisa a dizer que não isso, procuro algum texto nos meus arquivos que fale de qualquer coisa que não esse tema, que não o final triste e fraco dessa novelinha. Tão alheio à minha vontade. Sabe, eu nem sei quando tinha sido o meu último pé na bunda.
I'm short but I'm healthy, yeah
O fato é que eu tô indo. Em frente, com calma, pra outros lados. A dor maior já passou, e, apesar de eu ainda me sentir tão pequena e incapaz às vezes... tá passando.
I'm high but I'm grounded.
Eu já não quero mais ligar quando bebo, nem quando não bebo, nem quando me sento sozinha no sofá vemelho, nem quando passo sem querer pela ESPN. Nem quando vejo alguma coisa da Nova Zelândia em qualquer lugar. Os meus pés estão mesmo no chão. Eu passei mais um fim de semana comigo mesma, só comigo, como sempre foi, como eu me desacostumei tão rápido. Eu tô voltando pra casa, um pouco a cada dia, e tem ficado tão mais fácil.
I feel drunk but I'm sober.
Eu estou sã, sempre sã, mesmo que no meio de tanto turbilhão, mesmo com todos os entorpecentes. Mesmo que vendo pessoas que me lembram você, mesmo transitando por esferas um tanto mais próximas de você, mesmo que eu me aproxime, perigosamente, dos elos que um dia nos uniram. Ambos, os entorpecentes e os elos, eles não me levam pra você. Eles (thanks God) me trazem pra mim.
I'm sane but I'm overwhelmed.
E aí eu comecei a viver o outro lado.
I'm free but I'm focused.
“Joga a energia no trabalho”, né? Então tá. E virei noite, e mais uma noite, e depois um fim de semana, depois de meio dia às 7 da noite, e depois mais uma madrugada, até a terça feira em que eu fui dormir às 6 da manhã com minhas 104 páginas prontas e a sensação do dever finalmente cumprido.
I'm tired but I'm working, yeah.
E levantei 1 hora e meia depois pra ir logo pra faculdade, imprimir e encadernar logo esse troço e entregar pra correção. 3 dias depois, o protocolo. Eu pari a minha monografia.
E sei, sei que todos os outros pariram também e eu não fiz nada mais que minha obrigação. Mas vocês não entendem: eu realmente não achei que ia conseguir, que ia sair. Não com a minha completa falta de saco e de interesse com essa faculdade, não com a minha completa incerteza sobre o que fazer com esse diploma e o que fazer depois dele, não com a minha total falta de rumo. Quando fui falar com a minha orientadora no fim do semestre passado eu disse: “eu não sou essa pessoa que chega no 5º ano da faculdade e não sabe mais o que quer, eu nunca tive esse perfil”. E não tenho mesmo. Mas é aqui que me encontro, é nesse papel que eu tô, e se há o que fazer a respeito, eu não sei o que é.
I’m lost but I’m hopeful, baby
Eu estou perdida sim. Coração, cabeça, alma, tudo perdido. Sem saber o que vai ser da banca, da faculdade, da formatura, da OAB, do desemprego, e sem saber o que fazer com esse coração cansado. Sem saber se consigo juntar os pedaços e começar do zero, sem saber por onde começar, nem pra onde ir.
I'm poor but I'm kind
Currículos nas escolas de inglês não só porque eu sei lá quando estive assim tão pobre, mas porque uma parte de mim sempre quis dar aula, e porque isso pode ser, por hora, tão melhor que ser explorada num escritório.
E levantei 1 hora e meia depois pra ir logo pra faculdade, imprimir e encadernar logo esse troço e entregar pra correção. 3 dias depois, o protocolo. Eu pari a minha monografia.
E sei, sei que todos os outros pariram também e eu não fiz nada mais que minha obrigação. Mas vocês não entendem: eu realmente não achei que ia conseguir, que ia sair. Não com a minha completa falta de saco e de interesse com essa faculdade, não com a minha completa incerteza sobre o que fazer com esse diploma e o que fazer depois dele, não com a minha total falta de rumo. Quando fui falar com a minha orientadora no fim do semestre passado eu disse: “eu não sou essa pessoa que chega no 5º ano da faculdade e não sabe mais o que quer, eu nunca tive esse perfil”. E não tenho mesmo. Mas é aqui que me encontro, é nesse papel que eu tô, e se há o que fazer a respeito, eu não sei o que é.
I’m lost but I’m hopeful, baby
Eu estou perdida sim. Coração, cabeça, alma, tudo perdido. Sem saber o que vai ser da banca, da faculdade, da formatura, da OAB, do desemprego, e sem saber o que fazer com esse coração cansado. Sem saber se consigo juntar os pedaços e começar do zero, sem saber por onde começar, nem pra onde ir.
I'm poor but I'm kind
Currículos nas escolas de inglês não só porque eu sei lá quando estive assim tão pobre, mas porque uma parte de mim sempre quis dar aula, e porque isso pode ser, por hora, tão melhor que ser explorada num escritório.
I'm young and I'm underpaid.
Mas vai ser o que tiver de ser.
I'm hard but I'm friendly, baby.
De tudo o que eu mais queria era entender quando é que a minha força deixou de ser um motivo de admiração e passou a ser uma razão pro medo, um combustível pra covardia. Porque eu sempre achei de uma falsidade e uma pretensão imensas esse negócio de “eu sou o tipo de mulher que assusta os homens”, sempre pensei que fosse uma desculpa feminista esfarrapada pra perdedoras. Tipo essas meninas que recheiam o Orkut de fotos fazendo biquinho pro espelho e comunidades “eu sou inteligente sim, e daí?” e “mulheres com conteúdo”. Cegueira, mentira, auto-imagem absolutamente equivocada.
Mas sabe, dessa vez ficou tão claro pro mundo todo e até pra mim que foi covardia, que você não conseguiu mesmo encarar a minha independência e a minha liberdade, que eu seeei.... são incomuns pra minha idade.
I'm hard but I'm friendly, baby.
De tudo o que eu mais queria era entender quando é que a minha força deixou de ser um motivo de admiração e passou a ser uma razão pro medo, um combustível pra covardia. Porque eu sempre achei de uma falsidade e uma pretensão imensas esse negócio de “eu sou o tipo de mulher que assusta os homens”, sempre pensei que fosse uma desculpa feminista esfarrapada pra perdedoras. Tipo essas meninas que recheiam o Orkut de fotos fazendo biquinho pro espelho e comunidades “eu sou inteligente sim, e daí?” e “mulheres com conteúdo”. Cegueira, mentira, auto-imagem absolutamente equivocada.
Mas sabe, dessa vez ficou tão claro pro mundo todo e até pra mim que foi covardia, que você não conseguiu mesmo encarar a minha independência e a minha liberdade, que eu seeei.... são incomuns pra minha idade.
I'm green but I'm wise.
Mas você e qualquer um seria se seus pais se separassem quando você tinha 12 anos; se seu pai se casasse com uma mulher 4 anos mais velha que você; se eles decidissem ter outro filho e você tivesse que engolir; se você se visse cuidando da sua mãe com distúrbio bipolar aos 18 anos, e se daí pra frente você nunca mais tivesse ocupado o lugar de filho; se vocês se mudassem pra outro estado, pra outra cidade que você mal conhecia, (fria demais, triste demais), se você se visse obrigado a construir uma vida nova ali; se você ficasse sozinho por 5 anos e descobrisse que é possível ser feliz sim, e que te faz mais forte não se apoiar em ninguém; e se você morasse em outro país e se visse capaz de construir uma vida ali; e se você fosse morar sozinho, por fim, pra se ver enfim livre de verdade; e se você nem soubesse mais o que é ter uma família estruturada e papéis familiares bem definidos; e se você não tivesse que dar satisfação, e se você pagasse suas contas e cuidasse da sua casa; e se você descobrisse 2 dias antes do seu aniversário de 23 anos que seu pai tem Parkinson.... Se você tivesse vivido metade do que eu vivi, você não teria 24 anos e tanto medo de uma menina de 23. Porque no fundo, eu sou só uma menina.
I'm here but I'm really gone
Não importa mais. Ou como você gosta de dizer: “it doesn’t really matter”. Eu vou embora, eu nem estou mais nesse lugar, e quando eu der por mim, o mundo já vai ter dado outra volta, eu vou olhar pra trás e rir disso tudo. Desse post, da importância que eu dei pra esses problemas, do quanto tudo mudou. É sempre assim na minha vida, na minha estrada.
I'm here but I'm really gone
Não importa mais. Ou como você gosta de dizer: “it doesn’t really matter”. Eu vou embora, eu nem estou mais nesse lugar, e quando eu der por mim, o mundo já vai ter dado outra volta, eu vou olhar pra trás e rir disso tudo. Desse post, da importância que eu dei pra esses problemas, do quanto tudo mudou. É sempre assim na minha vida, na minha estrada.
I'm wrong and I'm sorry, baby
Eu sinto muito que não tenha sido simples e bonito como eu queria, e ouso dizer, como queríamos que fosse. Sinto muito que eu seja tão distante do convencional, tão complexa, tão quebrada, errada, virada do avesso. Sinto muito que eu não seja uma menina como as outras.
Mas você sabe, ao mesmo tempo agradeço a Deus por não ser.
And what it all comes down to?
Is that everything is gonna be fine, fine, fine!
Cause I’ve got one hand in my pocket and the other one’s giving a high five.
E no fim tudo fica bem mesmo, mas a decisão nunca é minha. É sempre alheio e superior à minha vontade, à minha expectativa. Fica tudo bem, mas num lugar totalmente diferente do que eu pensava que seria. A guinada na estrada já estava ali, só não dava pra ver. No final eu sempre vejo que as coisas se resolveram pro melhor, só que o melhor nunca era o que eu imaginava.
Eu sinto muito que não tenha sido simples e bonito como eu queria, e ouso dizer, como queríamos que fosse. Sinto muito que eu seja tão distante do convencional, tão complexa, tão quebrada, errada, virada do avesso. Sinto muito que eu não seja uma menina como as outras.
Mas você sabe, ao mesmo tempo agradeço a Deus por não ser.
And what it all comes down to?
Is that everything is gonna be fine, fine, fine!
Cause I’ve got one hand in my pocket and the other one’s giving a high five.
E no fim tudo fica bem mesmo, mas a decisão nunca é minha. É sempre alheio e superior à minha vontade, à minha expectativa. Fica tudo bem, mas num lugar totalmente diferente do que eu pensava que seria. A guinada na estrada já estava ali, só não dava pra ver. No final eu sempre vejo que as coisas se resolveram pro melhor, só que o melhor nunca era o que eu imaginava.
Certo em linhas tortas. No meu caso, sempre tão tortas.
Um comentário:
as coisas ficam bem pq a gnt se acostuma a tudo. e se agora dói, amanhã não vai mais doer tanto; se agora parece que tudo é insuportável, é a tua independência q vai mostrar que não é o tempo que cura, mas a capacidade de aceitar que não deu certo, e que sempre é hora para recomeçar...
sorte...
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