quinta-feira, novembro 13, 2008

Things change...


Eu me lembro de ter 16, no máximo 17 anos, e de estar conversando com a minha mãe (numa época em que ainda éramos tão saudáveis e tão pouco machucadas uma pela outra, diga-se de passagem) sobre amor, invenção, mitos e expectativas. Eu me lembro da frase:

- É engraçado, mãe. Eu passo o dia esperando o Fernando chegar, e isso vai crescendo em mim como se ele chegar fosse a coisa mais importante e mais linda da vida, como se ele fosse a melhor coisa do mundo. Aí ele chega... e é só ele.

O Fernando foi o meu primeiro namorado. Na verdade ele também foi o único, assim “de fato e de direito”, o único NAMORADO em caps lock. Com direito a tudo do pacote: dois anos e meio que poderiam ter se resumido aos 6 primeiros meses, planos de um futuro juntos, um amor que parecia eterno e parecia o mais intenso do mundo (tudo é, aos 16 anos), cumplicidade total, choro compulsivo, dependência completa, alienação, milhões de indas e vindas, muitos e muitos chifres que eu nunca enxerguei, caso (dele) com amiga (minha)... final trágico, molhado e salgado. Um clássico mesmo.

Mas o fato é que, penso eu, foi ali, naquela frase, que eu percebi pela 1ª vez que o nosso amor a gente inventa. Nunca mais esqueci, e uns anos depois, depois de ver a historinha se repetir incessantemente em todos os cantos e com todos os meus amigos, elegi a música como hino. Cazuza, né... o maior "produtor de hinos" que já vi. E quem me dera dizer “nunca mais inventei”. A verdade é que, conscientemente ou não, eu nunca deixei de inventar.

Essa semana ELE voltou. Ele, o tema principal ou secundário dos últimos posts todos, o tema que nem eu agüentava mais, o tema que eu finalmente tinha esgotado. Ele, a dor que eu finalmente superara, a doença da qual eu acabava de me recuperar. Exatamente quando eu parei de esperar, quando eu deixei de sentir falta, quando eu olhei pros lados e comecei a caminhar pra outros lados, exatamente quando eu apertei o OFF, ele reapareceu.

Quando ligou e perguntou se podia vir aqui, eu a princípio não soube o que dizer. Quis falar “eu acabei de te esquecer e acho que ainda não devo te ver de novo”, eu pensei em dizer “faz muito pouco tempo que eu parei de sentir sua falta, eu não posso arriscar a voltar pra aquele lugar”, mas eu não podia. E eu precisava tanto ouvir e entender, eu precisava tanto escutar alguma explicação dele pra toda a covardia e o sumiço, que eu disse “tudo bem, venha então”.


E numa repetição da história, ele chegou, e era só ele. Não me doeu o peito, não me apertou o estômago, não me faltou ar. Eu olhei pra ele, diretamente, nos olhos e até na boca, pra me testar mesmo. E nem quis me jogar naqueles braços. Mesmo. Me sentei na outra ponta do sofá e fiquei mais calada do que de costume, processando e entendendo, enquanto ele falava e eu percebia que, meu Deus, aquele era ele e sempre havia sido! O cara disposto e especial, o cara diferente dos outros, o cara que vinha construindo comigo uma historinha tão diferente das minhas outras últimas, por ser também diferente dos meus outros últimos... esse nunca existiu. Ele, o ELE de verdade (e não o que eu inventei) era só aquele menino sentado na ponta do meu sofá, brilhando os olhos de alívio quando eu disse “peraí, mas eu te falei isso, eu achei que tinha deixado claro... quem não quer compromisso sou eu.”, me puxando pra perto sorrindo com o mesmo jeito de sempre, tão simples e até tão puro, mas... tão pouco. Sem entender que não foi só uma pausa, uns dias sem se ver. Sem compreender que pra mim foi um FIM, pra mim foi ctrl+alt+Del mesmo, sem direito a guardar as mensagens no celular, sem direito a ficar lembrando ou sofrendo, mas por dentro... doendo de verdade. E ele me puxava pra perto dizendo “aaai, que bonitinha você brava” sem nem imaginar a dor que eu tinha sentido, a dor que ele tinha me causado. Peraí, mas se ele nem era aquela pessoa, se ele nem era o cara que eu inventei, pintei e me apaixonei... Se ele não tem idéia do que eu mitifiquei e nem sabe quem é o personagem que eu criei aqui dentro, quem me causou aquela dor então? É, não foi ele. Fui eu.

Ele pensa que voltamos ao mesmo ponto de antes, ele pensa que estamos juntos. Eu achei melhor não contar pra ele que não é bem assim. Achei melhor ficar calada e não dizer “Tá, a gente até fica junto... mas você não é mais o meu plano A. Você é, ôuquêi, a minha assistência técnica e a minha distração, mas prioridade? So sorry, babe, mas pra isso você é pequeno demais.” Eu achei melhor não contar pra ele que existem outras possibilidades e que eu tenho outras balas no bolso, outras cartas na manga. Eu achei melhor, obviamente, não dizer pra ele que inventei uma outra paixão nesse tempo, dessa vez pelo meu futuro chefe (lindoooo!), e que eu não vou apagar ela de dentro de mim, não enquanto houver uma chance mínima. Ele não sabe, e conhecendo meu gado, ele talvez nunca saiba. Mas eu continuo cantando meu hino:

O seu amor é uma mentira que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego, você não pode ver!
Não pode ver que no meu mundo um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo entre você e eu!

O nosso amor a gente inventa pra se distrair
E quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu.

2 comentários:

Alien disse...

muitas vezes eu acho que o amor é uma invenção pra gente acreditar na vida.
ou compreender a morte.
eu ando acreditando só em olho gordo e não compreendendo mais nada.

T. disse...

Oi neném, que foto linda nova do blog.
Então, vou dizer algo a respeito desse post: eu espero que cada palavra escrita nele seja verdade e que a superação de paixonite aguda seja um exemplo para todas as mulheres que deveriam ser inteligentes no amor, principalmente eu e a borboletinha que anda na minha orelha direita (se é que você me entende).
Apesar de eu ter tido uma baita de uma lição sobre esses amores repentinos, eu nunca aprendi e acho que nunca vou aprender.
Eu vou pulando de cabeça de um em um. E me ferrando um pouco. Ferrando os outros.
Mas da mesma forma que você teve a sua inda e vinda com esse sujeito lesadinho que esta se referindo no post, eu tive a minha ida e vinda com o meu dementador, o meu frasco de 212 humano. E eu vou te dizer... que essa bandeira de "eu não quero relacionamento" está sendo oficialmente queimada na minha história.
Não me interessa se ele vive num universo "tão" paralelo, eu dou meus pulos e se pá, caio lá.
Entenda que a sua bandeira ou queimará ou voará para longe uma hora dessas.
Ninguém aguenta tanto tempo de amor sem amor.
No dia do meu aniversário a minha história fará 1 ano, baby!
Um ano é tanto tempo para esperar...

Uiii que desabafo.
=*

love u!