sexta-feira, dezembro 12, 2008

Scary and Damaged



Eu odeio os momentos em que me aparece esse medinho idiota de você correr, de você amarelar e sumir de novo. Porque eu sei que nesse ponto da nossa novela você inclusive gosta mais de mim do que eu de você, e você é, nos seus atos e jeitos e hábitos, tão mais disposto a se envolver que eu. Você dá mais passos que eu, você demarca mais território que eu (muuuito mais), você vem e chega tão mais que eu. Você se declara mais, elogia mais, se mostra mais. Você aparece de surpresa no bar em que eu tô bebendo com os amigos, e eu te acho tão mulherzinha por me aprontar uma dessa. Como diriam os meus amigos, você tem um inconsciente animus namorandi tão tão maior que o meu. E assim vai se envolvendo, e entrando na minha vida, na minha rotina, em mim. Se sentindo em casa na minha casa, passando o dia na minha cama. Dizendo “já sei, vamos passar o dia todo vendo Lost na cama e você nem precisa ir pra esse churrasco”. Será que você sabe o quanto eu nunca diria isso? A mala no canto do meu quarto, a escova de dente a mais no armário do banheiro, seu lado na cama, sua cerveja na geladeira, sua toalha, seu isqueiro, seu stash, seu canto no sofá. Seu lugar na minha vida, tão determinado já.

A minha lógica, a minha memória, a minha cabeça no seu ombro, o meu corpo que já se acostumou a dormir abraçado no seu, o meu ouvido que reconhece a sua voz e a minha pele que reconhece o seu toque, esse negócio de pensar em você e o telefone tocar, e principalmente, a certeza que eu tenho da reciprocidade disso tudo... essas coisas me garantem que você não foge mais. Essas e muitas outras, mais práticas até... a minha ligação com os seus amigos (que já é tão independente de você), a sua ligação com as minhas amigas, a intimidade e o laço que criamos entre todos. "Às vezes parece até que a gente deu um nó." Tudo isso me mostra que é tarde pra fuga e pra covardia, que já passamos dessa fase.

Mas o meu medo, os meus traumas, as minhas superstições, as queimaduras e cicatrizes que eu carrego e o conhecimento que tenho das suas (e dos seus medos e das suas covardias e traumas)... esses me fazem duvidar. Porque eu às vezes te vejo tão mais descrente e abatido e doente que eu. Como se fôssemos cachorros de rua que apanharam demais e ficaram ariscos, e não sabem aceitar carinho e cuidado. Mas eu, que conheço tão pouco os seus caminhos anteriores, não tenho como saber o quanto você apanhou e o quão traumatizado você ficou. E me pergunto o que aquela menina te fez pra que você tenha tanto medo de se perder e se entregar, o que ela te fez fazer da sua vida pra que você se controle tanto pra não gostar demais.

Na verdade eu reconheço que é bom mesmo que se tenha algum controle, eu sei que assim, se controlando e se policiando como você me afirma fazer, é que as coisas ficam mais equilibradas. Eu sei que se você me amarrar um pouquinho mais quem vai fugir e correr pra bem longe sou eu, mas... mas às vezes eu só queria entender. O que os meus meninos me fizeram (e não me fizeram) eu sei, os incêndios e atentados terroristas que sofri eu conheço bem, e sei exatamente em que medida eles me tornaram a pessoa “scary and damaged” que eu sou hoje. Mas eu não sei a que ponto você pode ir.


Da outra vez ia fazer 1 mês que estávamos juntos, quando você desapareceu. Dessa vez... fez 1 mês ontem. É, talvez seja só a minha superstição com datas...

Um comentário:

. samanta vanz . disse...

é incrível como parece que acabamos nos moldando ao outro, quase como se fosse natural estar junto da outra pessoa...
e nunca é tarde pra arrependimentos, mas pra uma fulga... sinto em te dizer, baby, mas agora foi...
aproveite!