sexta-feira, fevereiro 06, 2009

As 3 palavrinhas

- E ele te chama de amor? Já tá nesse nível, de “amor da minha vida”?
- Não... Mas eu sufoco pelo menos uns três “eu te amo” por dia.
- Como assim???
- Ah, eu quase falo o tempo todo e aí engulo na última hora. Várias vezes, todo dia.

E eles fizeram um silêncio de choque, all eyes on me, arregalados, mal podendo crer no que eu tinha falado. E eu que falei tão normalmente! Até que todos disseram juntos:

- Aaaaah, que coisa linda! Gente, vocês acreditam nisso??? O coração de gelo!! O iceberg derreteu!
- Ah, mas é que “eu te adoro” é tão estranho, não se encaixa mais há tanto tempo!... É difícil ouvir “mulher da minha vida” ou “você é a pessoa que eu procurava” e responder qualquer coisa que não seja “eu te amo”. Não é que eu tenha pensado e analisado e chegado à conclusão de que eu realmente o amo, mas é que... é natural, é o meu instinto mesmo.
- Vem de dentro, né... Mas é assim que é pra ser!! Nossa, gente... ela tá amando de verdade.

Eu já tinha me acostumado a engolir as palavras. Fosse olhando nos seus olhos, fosse terminando um email, no final de uma ligação. Eu já achava normal segurar os meus instintos pra não te dizer o que teima tanto em sair da minha boca, o que me é tão natural, tão simples. Tão pequeno e tão grande. Eu já tinha me acostumado e ontem com o espanto deles eu tive que fazer contato.
São só 3 palavras. As mais repetidas ao redor do mundo, as mais banalizadas da história. A base pros melhores e piores poemas, pras mais lindas e mais ridículas declarações. Ele, o “eu te amo”. Tão banal, tão ordinário, e nesse momento, pra mim, such a big deal. Eu me segurando, eu mordendo os lábios pra segurar as palavras, eu sem conseguir pensar e sabendo: não é de se pensar. Não é de racionalizar, de fazer lista, de questionar. Não é a dúvida do “será que eu amo mesmo?” que me congela a fala. É a dúvida do “será que é a hora?”. Sabe, eu olho pra gente, pra essa nossa ânsia, pra essa nossa vontade incontrolável de se afogar um no outro, de beber no gargalo, de nos absorvermos por completo... eu vejo essa nossa volúpia e essa saudade que nos chega nos 2 minutos seguintes a cada despedida, que nos habita em cada uma das horas do dia que passamos separados... e tenho tanta vontade de que não acabe nunca. E tenho tanto medo de falar, de colocar em palavras e banalizar esse sentimento que agora é tão grande, que agora sufoca, que transborda e não permite disfarce. “E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei”
E eu sei, a gente sabe... um dia isso passa. E quanto mais se gasta mais rápido passa, e quanto antes se banaliza menos a mágica dura. E falar banaliza. E depois das, digamos, 10 primeiras vezes, o “eu te amo” não tem mais sentido nem força. Vira “pão com manteiga”. E agora, neste momento agora, neste tempo em que tudo borbulha e arde e rescende e dói, em cada uma das vezes que eu mordo os lábios pra não dizer as tais palavras ou seguro os dedos pra não digitá-las, eu sinto a força delas. Eu sinto pulsar, vibrar no meu peito, como uma chamada no celular pela qual se esperou muito. Iuuuuhu!... Somebody’s calling! I hope i’ts Mickey!....

Mas o fato é que sim: eu te amo, eu te amo, eu te amo. Pronto, falei.

3 comentários:

Anônimo disse...

Continua sendo tudo tão patético.

Aproveite esse pseudo amor, porque eu vou ficar com o Léo de novo e ser fotografada de novo pra vc guardar a foto de recordação.

T. disse...

Eu choro, eu choro, eu choro e amo poder compartilhar com você tudo isso....

Amo estar do seu lado para tudo e para o que der e vier.
E se você me excluir dessa e de todas as outras histórias por 30 segundos, que seja, eu vou morrer. Vou morrer, eu juro.

Eu queria tanto achar a peça para preencher o meu vazio tbm.
Eu queria tanto que as coisas deixassem de ser superficiais....

Eu tbm queria amar igual vc. e queria saber que amava e queria sufocar um "eu te amo"

aiaiai

Ceisa Martins disse...

Eu adoro ver essa mudança sua! que vem sido a cada texto novo mais concreta, mais real! eu adoro isso aqui e quão humana você é por se permitir, mesmo que com/sem medo de ser feliz! "Eu te amo" é a unica frase que se encaixa quando o que se sente é realmente amor!
Diga sempre... Faz bem a vida!

Beijos, moça!

E ame muito, ame sempre, ame todo o ar que você respirar!