sexta-feira, março 06, 2009

Do transitório

12.01

Eu vim pra casa dormir, depois da overdose de acontecimentos, palavras e sensações da noite. Mas eu não consigo dormir. O nó no meu estômago não me deixa, os calafrios não me deixam. A náusea, a dor de cabeça, o aperto no peito... me mantêm acordada virando de um lado pro outro na cama, procurando um jeito menos incômodo, procurando uma forma mais fácil de respirar. É o medo. E eu me pergunto se vou me ver livre dele algum dia, se vale a pena tentar, se... ah, eu me pergunto tudo.

Eu que não choro, eu que não sinto, eu que não amo. "Eu que não fumo queria um cigarro, eu que não amo você... Envelheci 10 anos ou mais nesse último mês" Eu que era tão boa nesse negócio de fuga, de recusa, de solidão. Era fácil ficar bem quando não tinha você sentado do meu lado e pegando na minha mão, era fácil sem olhar nos seus olhos, sem sentir o seu cheiro. Era fácil, tão mais fácil, quando eu não estava vendo a sua mão e querendo tanto segurá-la na minha com toda a força, quando eu não tinha que me lembrar e reconhecer à força que eu gosto mesmo e muito de você. Era tão mais fácil quando não doía assim, quando eu não tinha essa necessidade de ir lá fora chorar (que eu já não tinha a, sei lá, uns bons 5 anos), quando eu podia fingir pra mim que não sou tão doente e machucada assim, que é tudo normal. Era tão mais fácil quando eu não sabia que foi difícil pra você, do que você fez ao longo dessa semana, dos seus planos pra me surpreender, das músicas que você ouviu pra se lembrar de mim, de você sem poder ouvir Natiruts e só conseguindo ouvir Natiruts, de você dormindo no sofá assistindo o DVD que eu te dei. De você querer escanear a nossa foto e por no Orkut (helloooo, no Orkut?!), de você querendo me ligar pra qualquer coisinha. Era tão mais fácil quando eu não tinha ouvido você dizer “se você não enlouquecer quando ficar mais velha... você vai ser a mulher perfeita... pra casar”.

Você me ligou quando acordou, me disse dos planos pro seu dia, me deu satisfações como quem devia fazê-lo, como se... estivéssemos de novo juntos. Mais, como quem quer começar de novo com o pé direito e fazendo tudo bem direito. Eu não dormi. Você acordou ao meio dia e me ligou tão feliz, e eu mal dormi. E eu não queria acordar pra essa realidade e pra essa decisão, pra esse problema. Eu não sei se estou com você, se vou conseguir estar, se vai valer a pena tentar.

Eu preciso crescer. Eu sei que preciso, por mim, e não por você, trabalhar essa desconfiança e esse medo crônico de envolvimento, essa paranóia de traição, essa doença que eu vim alimentando ao longo do meu tempo tão sozinha. Talvez essa seja a minha chance de fazê-lo. Eu devo isso a mim, e talvez eu também o deva a você.

E ao mesmo tempo, por cima disso tudo, eu não posso parar a vida agora. Não quero olhar pra trás daqui a um tempo e ver que eu perdi a semana da formatura, que eu não me envolvi e não comemorei, que ocupei minha cabeça e meu tempo com qualquer coisa que não seja o mais importante agora. Pelo menos na minha vida, eu não acho que a "semana da formatura" vá se repetir, e eu não quero perder nada.

É por isso que eu reconheci e abracei a minha incapacidade de lidar com isso nesse momento. Porque não tenho outra escolha, porque não sei escolher. Eu sei, sei que você deve querer uma posição ou uma resposta, eu sei que você espera, eu até sei... que você mudou. Ou pelo menos quer mudar, de verdade, lá do fundo. Eu só não sei se posso abandonar assim as minhas convicções, se posso jogar minhas regras pela janela, se posso abaixar a guarda, despir a armadura. Todas as dúvidas nas quais eu não posso, simplesmente não posso pensar agora.

Um comentário:

Ceisa Martins disse...

Você acabou de transcrever a minha confusão mental diante do meu relacionamento!

Nossa...

Beijos!