Reza a lenda que daqui a 2 dias você vai embora. Dois, míseros dois dias, em absoluto contraste com os 24 anos nos quais, na maioria do tempo, você esteve junto, ali, com alguns períodos de férias que sempre me foram tão preciosos. Já tem alguns anos que eu rezo pela sua ausência, ou pelo menos por uma presença menor.
Prefiro não pensar muito nesses dias, prefiro não acreditar muito neles pra que depois, se alguma coisa der meio errado, se alguma coisa te atrasar, eu não enlouqueça. Se começar uma contagem regressiva pra depois ter que aturar uma prorrogação ou tempo extra, eu não vou conseguir. Todos os incômodos que tenho tido, todos os absurdos diários, todos os mini abusos tão constantes (e por isso mesmo, se somados são tão grandes), tudo isso eu tenho relevado. Com a promessa interna de que está chegando ao fim. Com o juramento pra mim mesma de que essa é a última conta atrasada que eu preciso pagar às pressas, a última compra de supermercado (pra sua casa) no fim da tarde de sexta feira, depois de um dia exaustivo de trabalho, o último dos abusos. O último sapo engolido? Não, isso eu sei que não, mas a minha confiança nas facilidades que a distância trará é algo que eu preciso conter a cada dia, pra não criar expectativas demais.
Não é muito maduro da minha parte esperar você ir embora pra ter uma folga, uma vida melhor. Eu sei disso. Sei que não é saudável, sei que aos olhos de muitos pode parecer tão cruel que eu queira te ver pelas costas. Mas eu simplesmente não aguento mais.
E não há terapia, estudo, paciência, evolução, tempo que conserte. Não há medicamento ou discussão que consertem a sua folga, o seu abuso, a sua falta de noção e bom senso. E não há nada que vá me fazer vê-los com bons olhos. Não há Cristo que te transforme numa pessoa normal, e eu não consigo mais conviver com a sua completa anormalidade. E não consigo mais discutir sabendo que não vai dar em nada, tentar te fazer enxergar sabendo que isso nunca vai acontecer, me revoltar sabendo que só vou comprar mais um sermão interminável e daí a 2 dias, vai ser como se nada tivesse acontecido. São muitos anos de discussões e troca de ofensas no telefone, são muitos tempos sem se falar, são tantas tentativas que nunca deram em nada. Tantas vezes em que eu consegui finalmente falar, e entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Agora que eu sei que existe uma possibilidade de não te ter mais por perto, agora que eu sei que mais de1000 km passarão a nos separar, não há calma ou paciência que me sejam suficientes pra te aguentar aqui. Eu vivo com medo de alguma coisa acontecer e seus planos mudarem, eu morro de medo de qualquer coisa dar errado. Porque dentro de mim, mesmo sem querer, eu conto os dias. Como um preso cumprindo os últimos dias da pena.
Eu não tenho mais nada pra dar, eu não tenho mais de onde tirar.
Prefiro não pensar muito nesses dias, prefiro não acreditar muito neles pra que depois, se alguma coisa der meio errado, se alguma coisa te atrasar, eu não enlouqueça. Se começar uma contagem regressiva pra depois ter que aturar uma prorrogação ou tempo extra, eu não vou conseguir. Todos os incômodos que tenho tido, todos os absurdos diários, todos os mini abusos tão constantes (e por isso mesmo, se somados são tão grandes), tudo isso eu tenho relevado. Com a promessa interna de que está chegando ao fim. Com o juramento pra mim mesma de que essa é a última conta atrasada que eu preciso pagar às pressas, a última compra de supermercado (pra sua casa) no fim da tarde de sexta feira, depois de um dia exaustivo de trabalho, o último dos abusos. O último sapo engolido? Não, isso eu sei que não, mas a minha confiança nas facilidades que a distância trará é algo que eu preciso conter a cada dia, pra não criar expectativas demais.
Não é muito maduro da minha parte esperar você ir embora pra ter uma folga, uma vida melhor. Eu sei disso. Sei que não é saudável, sei que aos olhos de muitos pode parecer tão cruel que eu queira te ver pelas costas. Mas eu simplesmente não aguento mais.
Agora que eu sei que existe uma possibilidade de não te ter mais por perto, agora que eu sei que mais de
Eu não tenho mais nada pra dar, eu não tenho mais de onde tirar.
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