Eu estou bem. Razoavelmente equilibrada, razoavelmente calma, razoavelmente em paz. Talvez ainda em choque, mas... sem muita dor, sem muita tristeza. Até com um certo alívio!
Eu já ri de nervoso, sozinha na minha mesa, tantas vezes ao longo do dia. É que no fundo esse negócio é engraçado, vai!... Eu que sempre fui tão preocupada com a justiça, tão em prol da verdade e das provas irrefutáveis, eu que tanto pedi pros amigos não me deixarem fazer papel de otária de novo, eu que praticamente fundei uma ONG em prol das mulheres traídas, com o objetivo de provar, de forma inconteste, pra cada uma das iludidas que eu via pelo mundo, que “sim, ele estava com outra!”... Eu que nem sei quantas vezes disse: “gente, pelo amor de Deus, tira foto! Viu o namorado de alguém com outra? Tira foto! Viu saindo do motel? Tira foto! Se for pra descobrir traição eu acho que deve ser sempre com foto!”. Eu, essa pessoa de todas as frases anteriores... tô aqui, com a foto aberta. Ele, uma qualquer, um beijo. Ele se inclinando na direção dela, ele meio rindo, ele fazendo uma cara que eu conheço tão bem. É ele, é tão ele... é a cara que eu vejo ele fazer todo dia, é uma pose tão dele, um sorrisinho safado tão dele, uma roupa dele, o cabelo dele. É uma foto tão familiar, e a diferença única é que ela não sou eu. Jogo do 1 erro. E tudo isso é, eu juro que é, estranhamente engraçado.
E é tão estranho ver o quanto não dói mais. Não daquele jeito, não aquele aperto e aquela dor física, não mais... não mais o World Trade Center desabando dentro de mim, mas só... um final inesperado. Um filme que acabou quando não se esperava, mas... fazer o quê? Mudar de canal, ejetar o DVD, desligar a TV. Mais nada.E tem sensações boas, estranhamente. Tem um alívio de saber que acabou a vulnerabilidade, acabou a entrega, acabou a fraqueza. Tem um conforto de não ter que tomar uma decisão, não ter que fazer uma escolha, não ter que analisar mais se tá valendo a pena, até quando vai valer a pena. Ele me poupou dessa decisão. Ele decidiu por mim, ele foi lá e fez talvez a única coisa que me faria... desistir sem questionar. Acabar tudo e ponto, sem dúvidas, sem “ah, mas será que justifica?”, sem "ah, mas todo mundo erra e todo mundo muda". Não, isso não muda. Esse sorriso não me permite nenhum tipo de questionamento ou fraqueza. Pelo contrário: ele me prova o quanto não dá mais.Mas o segundo tipo de alívio é ainda melhor e mais forte. Vem da certeza absoluta, da prova inconteste, de não ter que sentir de novo aquele desespero de "pelo amor de Deus confessa... ou pelo amor de Deus, alguém que tenha visto me confirma??". Eu não tenho que questionar nada: intensidade, importância, verossimilhança... Tá tudo ali! O conjunto probatório completo! Já dá pra julgar! É o "uma imagem vale mais que mil palavras" aplicado COM PERFEIÇÃO ao caso concreto.E em alguns momentos, só em alguns momentos... dói. E eu devo ser masoquista pra caramba, porque fico passando de uma foto pra outra reconhecendo os trejeitos dele e vendo a falta de vergonha na cara estampada nesse sorrisinho. Matando-o dentro de mim, lentamente.Eu poderia escrever um livro inteiro só sobre isso, “a riquíssima experiência de ver uma foto do seu pega/ficante/namorado/noivo/marido com outra”.
Originalmente escrito em 05/01/09 (sim, faz diferença).
Um comentário:
acho que todas temos um pouco de masoquistas, baby...
;D
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