Existe um clichê que tem me perseguido. O do primeiro beijo. Essa historinha de comédia romântica de que “o primeiro beijo te diz tudo que você precisa saber sobre a relação”, essa mitificação do momento, essa pira toda aí. Toda vez que o assunto me aparecia pela frente eu pensava a mesma coisa: “tem tanto tempo que eu nem presto atenção no primeiro beijo”. Beijo e pronto, beijo e nem fico analisando nada, no fim da noite é que eu vou saber se o cara valeu a pena ou não. Mas não pela qualidade desse, do primeiro beijo, do “momento histórico”. Por tudo. Já a alguns anos pra mim o primeiro beijo com alguém não era... quase nada. But then again, já há algum tempo que pra mim eles todos são... quase nada.
Hoje, quando você olhou no meu olho e veio me beijar pela primeira vez, eu pensei: o primeiro beijo. E foi só isso que deu tempo de pensar, e a gente tava se beijando. E dessa vez eu tava ali, 100% presente, como não acontecia a tanto tempo. Adeus mundo lá fora, e tudo era o beijo. E foi tão bom, e quando me soltou foi a primeira (na verdade, a segunda) coisa que você disse, do jeito mais espontâneo do mundo, de um jeito que não me deixou dúvida nenhuma de que você nem tava fazendo fita... você tava dizendo o que pensava e só. E eu me lembrei que a última vez que um cara me beijou pela primeira vez e me disse do jeito mais espontâneo e efusivo do mundo que meu beijo era muito bom... era 2004, e ele foi a maior e mais arrebatadora paixão da minha vida.
E me deu uma coisa boa por dentro. Porque eu te desejei por algum tempo antes de ficar com você, e foram pelo menos 2 desencontros antes que a gente conseguisse se encontrar (talvez só pra permitir que a minha vontade aumentasse) e também tinha algum tempo que isso não acontecia. Porque eu estava bem sã, e porque eu estava de tênis, calça jeans e moletom. Porque eu não fiz nem uma única pose ao longo da noite, nem me fiz de meiga, de sexy, de inocente, de experiente, de nada. Porque eu falei da minha família e você falou da sua, coisas boas e ruins, vergonhosas ou não, porque você me mostrou as fotos do aniversário de 85 anos da sua avó, perguntou da minha irmã e dos meus pais, perguntou se podia tirar uma foto nossa sem nem cogitar a possibilidade de eu achar aquilo estranho. E porque eu falei dos seus amigos beldades/comedores sem meias palavras e sem me fazer de inocente, e você concordou com tudo sem fingir por 1 minuto sequer que “aaah, não é nada disso”. Porque éramos só nós dois e, apesar de eu amar minhas amigas além da vida e ter falado disso e delas a noite toda, você pôde me ver do jeito mais natural e mais simples, porque era só eu. Porque tudo, tudo isso, não acontecia a algum tempo.
Me deu “um bom” porque eu te achei mesmo o cara transparente que você disse ser, e porque eu me senti também tão transparente e me lembrei de como essa sensação é boa, e porque eu tive um real e quase palpável ALÍVIO quando você falou “ah, porque eu sou transparente, eu falo mesmo, quando eu gosto eu falo e quando eu não gostar de alguma coisa você vai saber”. Tanto alívio que meia hora depois eu já tava te dizendo:
- Quando um cara te liga às 2 da manhã, não tem desculpa não. Não é “mania
dele”, não é coincidência, não é nada. É porque ele quer bombom, e pronto. Por
isso eu fiquei possuída pelo demônio quando você disse ‘não vou poder ir aí no
bar, mas me liga quando estiver saindo e vamos ver se a gente faz alguma coisa’.
E porque aí você riu, de verdade e com gosto, e me beijou como se dissesse: ela é diferente e eu gosto disso.
Eu agora encho mais de uma folha no Word falando de você, e tenho medo de estar pirando sozinha. De esse ser o único texto a seu respeito porque essa historinha já acaba aqui, ou de você foder com tudo por uma razão idiota, como eles tooodos fazem. Mas pra quebrar mais um dos meus padrões, eu vou brincar de ser otimista dessa vez. See you on Friday, babe.
