segunda-feira, setembro 22, 2008

Naturally



Existe um clichê que tem me perseguido. O do primeiro beijo. Essa historinha de comédia romântica de que “o primeiro beijo te diz tudo que você precisa saber sobre a relação”, essa mitificação do momento, essa pira toda aí. Toda vez que o assunto me aparecia pela frente eu pensava a mesma coisa: “tem tanto tempo que eu nem presto atenção no primeiro beijo”. Beijo e pronto, beijo e nem fico analisando nada, no fim da noite é que eu vou saber se o cara valeu a pena ou não. Mas não pela qualidade desse, do primeiro beijo, do “momento histórico”. Por tudo. Já a alguns anos pra mim o primeiro beijo com alguém não era... quase nada. But then again, já há algum tempo que pra mim eles todos são... quase nada.

Hoje, quando você olhou no meu olho e veio me beijar pela primeira vez, eu pensei: o primeiro beijo. E foi só isso que deu tempo de pensar, e a gente tava se beijando. E dessa vez eu tava ali, 100% presente, como não acontecia a tanto tempo. Adeus mundo lá fora, e tudo era o beijo. E foi tão bom, e quando me soltou foi a primeira (na verdade, a segunda) coisa que você disse, do jeito mais espontâneo do mundo, de um jeito que não me deixou dúvida nenhuma de que você nem tava fazendo fita... você tava dizendo o que pensava e só. E eu me lembrei que a última vez que um cara me beijou pela primeira vez e me disse do jeito mais espontâneo e efusivo do mundo que meu beijo era muito bom... era 2004, e ele foi a maior e mais arrebatadora paixão da minha vida.

E me deu uma coisa boa por dentro. Porque eu te desejei por algum tempo antes de ficar com você, e foram pelo menos 2 desencontros antes que a gente conseguisse se encontrar (talvez só pra permitir que a minha vontade aumentasse) e também tinha algum tempo que isso não acontecia. Porque eu estava bem sã, e porque eu estava de tênis, calça jeans e moletom. Porque eu não fiz nem uma única pose ao longo da noite, nem me fiz de meiga, de sexy, de inocente, de experiente, de nada. Porque eu falei da minha família e você falou da sua, coisas boas e ruins, vergonhosas ou não, porque você me mostrou as fotos do aniversário de 85 anos da sua avó, perguntou da minha irmã e dos meus pais, perguntou se podia tirar uma foto nossa sem nem cogitar a possibilidade de eu achar aquilo estranho. E porque eu falei dos seus amigos beldades/comedores sem meias palavras e sem me fazer de inocente, e você concordou com tudo sem fingir por 1 minuto sequer que “aaah, não é nada disso”. Porque éramos só nós dois e, apesar de eu amar minhas amigas além da vida e ter falado disso e delas a noite toda, você pôde me ver do jeito mais natural e mais simples, porque era só eu. Porque tudo, tudo isso, não acontecia a algum tempo.

Me deu “um bom” porque eu te achei mesmo o cara transparente que você disse ser, e porque eu me senti também tão transparente e me lembrei de como essa sensação é boa, e porque eu tive um real e quase palpável ALÍVIO quando você falou “ah, porque eu sou transparente, eu falo mesmo, quando eu gosto eu falo e quando eu não gostar de alguma coisa você vai saber”. Tanto alívio que meia hora depois eu já tava te dizendo:

- Quando um cara te liga às 2 da manhã, não tem desculpa não. Não é “mania
dele”, não é coincidência, não é nada. É porque ele quer bombom, e pronto. Por
isso eu fiquei possuída pelo demônio quando você disse ‘não vou poder ir aí no
bar, mas me liga quando estiver saindo e vamos ver se a gente faz alguma coisa’.



E porque aí você riu, de verdade e com gosto, e me beijou como se dissesse: ela é diferente e eu gosto disso.

Eu agora encho mais de uma folha no Word falando de você, e tenho medo de estar pirando sozinha. De esse ser o único texto a seu respeito porque essa historinha já acaba aqui, ou de você foder com tudo por uma razão idiota, como eles tooodos fazem. Mas pra quebrar mais um dos meus padrões, eu vou brincar de ser otimista dessa vez. See you on Friday, babe.

terça-feira, setembro 16, 2008

Did I mean to be mean?

Eu sei, eu sei…. Eu posso ser cruel às vezes. Mesmo que raramente, em situações extremas, quando a minha paciência maior do mundo não deu conta de acompanhar mais, quando a minha imensa tolerância se esgota, quando a minha compreensão quase absoluta me abandona... nessa hora eu sou cruel. De uma forma que nem reconheço, que nem percebo, que nem controlo. Não consigo controlar. Eu que prezo sempre pela justiça, nessa hora não sou justa. Nem boa, nem generosa, nem nenhuma outra qualidade que me seja inerente em outros momentos. Nos meus momentos de esgotamento eu digo coisas que nunca pensei que fosse dizer, uso palavras que não seria capaz de usar, machuco de uma forma que nunca, nunca seria capaz de machucar. E eu não tenho justificativas plausíveis pra isso. E nem acho que tô no meu direito, e nem tento me explicar. Mas é isso que eu sou.
Às vezes eu sou cruel só por esporte também. Só pra dar o troco, pra mostrar que posso não ser flor que se cheire se quiser, pra provar (até pra mim) que posso, que consigo. Que sou minha, só minha, e não de quem quiser. Pra me auto-afirmar mesmo. É claro que eu não acho isso bonito. Mas acho isso humano.
O fato é que em alguns momentos, e principalmente nesse lugar aqui, eu me despejo, eu me entorno, eu transbordo. De tudo que me preencha, que me encha, que me sufoque, que me atrapalhe os movimentos. Despejo nessa mal traçadas linhas os meus potes de mágoas e revoltas, de alegrias e euforias, de incertezas e vazios. Simplesmente porque essa é a minha terapia. E por me entregar assim sem reservas e freios, sem filtros e pudores, eu às vezes sou direta demais. Curta e grossa demais. Na exata medida em que não consigo ser na vida real, em sentido oposto. Eu não te digo, mas te escrevo. Eu não me declaro, não te olho com paixão, não te digo o que me atrai, o que me envolve, o que me conquista. Eu te escrevo uma carta de amor e coloco aqui, jogo na rede, jogo no universo. E tá feito. Do mesmo modo como eu não brigo, não discuto, não te bato na cara quando essa é a maior vontade.... mas venho aqui e te produzo o maior dos tapas na cara, literário. E no momento em que o faço, nem me importa se você merece ou não apanhar. Me importa que eu preciso bater, que eu preciso me livrar do fantasma. E eu o faço.
Depois que volto e me leio, depois que alguém me diz algo, me desarma às vezes com uma única frase, eu vejo que ok, a limpeza foi feita, mas justa eu não fui. Aí posso sopesar tudo de novo, rever os pontos de vista, olhar com novos olhos. Perdoar a mim, ao outro, à vida. Dissipar os nós e os azedos que me habitavam. Às vezes eu olho e penso que exagerei sim, que foi forte demais mesmo, que não foi merecido não. E aí penso que “ôrra, pelo menos eu não bati de verdade”

Acho que o que eu quero dizer é..... não é sua culpa. Não mesmo. Talvez não seja minha também, mas sua eu tenho certeza que não é. E você nunca vai ler nada disso, nem vai intuir nada disso, nem vai perceber. Convenhamos, você não é tão perspicaz assim, nem imagina que eu o seja. Mas ainda assim, eu sei, é claro que sei, que você não merece uma pessoa tão pouco pura e tão capaz de ser cruel quanto eu sou, quanto eu posso ser.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Unconditional Surrender




Não sei que efeito é esse que você tem em mim. Aliás, não sei que efeito é esse que só você tem e eu não consigo achar ninguém mais que tenha, e olha que eu tenho me forçado e me esforçado tanto. E ôrra, tenho procurado tanto...


A sua foto me persegue e eu dou de cara com você até quando não esperava. E aí parece que é você de verdade e não uma foto idiota, parece que você tá mesmo ali me vendo acordar, costurar, cantar, me assistindo trocar de roupa.... até que eu tampo o seu rosto com outra foto pra não me assustar mais com esse seu olhar tão seu, pra parar de tropeçar no seu meio sorriso e perder o rumo o dia todo.
E aí você me aparece de novo. Na televisão, na cara de outros caras, no jeito de um outro qualquer. E eu começo a rir de nervoso, me perguntando se aquele sorriso parece mesmo o seu ou se inventei isso pra mim mesma, se já te vi fazendo aquilo ou se foi obra da minha imaginação. Se eu voltei mesmo a ter 13 anos ou é só uma loucura passageira.
É pra entender essa fixação que eu queria te ver, que eu acho até que precisava te ver. Pra ferrar tudo de vez pro bem ou pro mal, porque eu com essa mania de auto-análise já concluí que, qualquer que seja a minha reação (física e química), vai foder tudo de vez. Sim, porque se for tudo aquilo de verdade e se você me provocar mesmo aquelas explosões internas, e se as suas mãos e suas sardas se convalidarem como meus maiores objetos de desejo, eu não sei como vou poder voltar pro mundo real. E não sei o que vou fazer com a total impossibilidade de ter você pra mim, seja no nível que for, e não sei como vou voltar pra minha fila de nerds, ogros e possibilidades tão menos prazerosas e competentes que você.
E se você for um mito que eu criei (mais um), e se não tiver nada do que eu guardo aqui na lembrança (ou na imaginação, vai saber), e se ter você for irrelevante e desinteressante como ter os outros... aí eu não sei o que faço comigo mesma! E não sei onde enfio essa minha sede, essa luxúria que veio morar dentro de mim desde você, e que nunca mais foi plenamente satisfeita.
Eu já sei que de uma forma ou de outra você vai acabar comigo, mas eu corro pra você mesmo assim. “Eu te procuro até não poder mais. Na internet, bares, nos jornais... Trombar você é o que eu quero mais.” Porque eu preciso acabar com você também, de alguma forma, e preciso me jogar e dar cabo a essa angústia, a esse vazio e essa total falta de tempero, essa total ausência de borboletas no meu estômago. Eu preciso te gastar e te sugar até a última gota, até esfolar, até afinar, até que eu não agüente mais nem olhar na sua cara. Porque eu preciso chegar nesse ponto, eu preciso ir até o fim.
É aí que eu me acovardo. Quando olho pra mim e vejo esse desespero crônico, eu penso que não tenho condição nenhuma de te ver de perto, de estar e falar com você de fato, no mundo real. E me dá um medo absurdo de que essa mania de você esteja óbvia demais, escrita em letras garrafais na minha testa. Medo dos seus olhos verde-escuros me decifrarem, reconhecerem a minha total submissão a toda e qualquer vontade sua, minha absoluta disposição de realizar todo e qualquer fetiche seu. E ao mesmo tempo, vontade de que isso tudo aconteça sim, de que você enxergue e entenda o seu poder e me abuse logo, me queime até a última ponta, sem piedade ou pudor, sem moral. Bem do nosso jeito.

Eu odeio, amo e temo tanto essa bagunça que você faz dentro de mim. Essa completa contradição que eu me tornei desde que você resolveu montar acampamento na minha cabeça, derrubando cercas, fincando bandeiras. Não há prece, medida liminar ou polícia militar que te arranquem daqui e, na verdade... na verdade eu nem sei se quero que você saia.


What a beautiful mess this is....

domingo, agosto 31, 2008

Plastic Surgery



Só eu sei o quanto tudo mudou. Só eu posso saber o real significado do que me foi arrancado, do peso que me foi tirado, do fardo que não mais carrego. Da mudança drástica que isso representa, do renascer que vejo e sinto, em cada célula remanescente, todo dia.

Tenho a sensação de começar tudo de novo, de ter que refazer a vida do zero. Com todos os valores repensados e sopesados sob uma perspectiva totalmente nova, com todos os hábitos, os modos, as certezas e os instintos mudados. Até eles, os instintos. Tudo tão diferente, tudo tão avesso. Tudo precisa ser revisto. Eu acho que meu andar, meu olhar, minha voz, minha visão, audição, olfato, paladar e tato, tudo deve também estar diferente, porque... porque eu simplesmente não sou mais a mesma pessoa. E me leio e penso no quanto isso realmente pode soar fútil, vazio, uma inversão de valores completa. Mas no mesmo instante tenho tanta certeza de que não é. E não é mesmo, porque o corpo, esse aqui, é sim o que nos resta de mais valioso. Templo, instrumento, porto. Negligenciar a isso, dizer que “importante na verdade é o que temos por dentro”... é hipocrisia. Mesmo porque nada que está lá dentro está “desconectado” do que se mostra aqui fora.

Eu ando pela rua e não sou mais aquela. E nem digo “não sou mais eu”, porque é essa aqui que sou, em cada parte, com todas as características, boas ou ruins. Sou essa e não quero voltar a tempo algum, sou essa e não quero apagar nada, mas também não olho pra trás. Sou essa aqui, na totalidade, mas essa aqui é alguém tão novo, alguém que se conhece pouco ainda, alguém que se sente mesmo recém-nascida. Alguém que começa do zero, e recomeçar nunca é de todo fácil.

Talvez eu já pudesse tudo. Talvez a capacidade sempre estivesse dentro de mim, talvez isso já estivesse aqui o tempo todo, só eu não vi. Mas ver muda tudo. Eu agora posso. Eu agora vou atrás, vou em frente, levanto a cabeça e os ombros, dou a cara pra baterem. E a boca pra beijarem, e as mãos pra segurarem. Eu não fico mais parada na beirada. Eu pulo. De ponta. E não sei ainda dosar isso tudo com aquilo que morava aqui antes, não sei ainda conciliar totalmente a pessoa de antes com essa mulher nova que veio morar em mim, essa que trouxe rosas vermelhas pra substituir as margaridas, que veio queimando sutiãs e cintas, que veio ouvindo lounge e trip hop ao invés de MPB, jogando no ataque e não mais na defesa. Não sei dizer pra ela se conter, ela me parece tão fascinante, ela me faz tão bem. Ela é exatamente aquilo que a menina tímida e complexada que mora dentro de mim queria ser um dia, aquilo que eu pensava que “só na próxima encarnação”. E eu ainda não sei, (vou saber logo, mas ainda não sei) como ser tudo ao mesmo tempo, como tornar isso mais equilibrado e mais saudável. Eu preciso aprender.

terça-feira, agosto 19, 2008

Pieces of me (ou "Feeling Good")



Tem vezes em que simplesmente não é pra ser. Em que a nossa capacidade de inventar amores e fantasiar romances não é suficiente pra materializar uma história, e não importa o quanto você force a barra... não vai dar certo. Não importa que você queira tentar, que você ache que é o melhor, que o mundo lá fora concorde que os prós valem os contras, que o negócio é lucrativo. Existe um momento em que todos os seus poros e células te dizem numa linguagem clara e inconteste, em que todos os seus instintos te afirmam e não há como ignorar: não dá. Ele não é ELE, não é nem um deles, nem se encaixa na categoria mais simples, nem passa naquele teste que tem os menores requisitos. Ele não é pra você e até ele sabe disso. Seria tão mais fácil se ele fosse, se ele te provocasse um mínimo de... calor. Mas não é.

A verdade é que eu precisei viver 5 dias "casada" pra constatar que não é NADA disso que eu quero. Sim, porque às vezes o entendimento real, aquela certeza absoluta, só se dá quando a gente vive, quando a gente experimenta e sente na pele. Antes disso a gente pode até dissertar acerca, dizer que entende, afirmar que sabe. Mas às vezes o saber de verdade só vem quando a gente vai lá e vive.

Não há lugar pra você na minha vida, e eu acho que mesmo que fosse outro e não você, ainda assim não haveria. Você é grande demais pro meu apartamento, seu travesseiro é grande demais pra minha cama, suas malas e roupas são grandes e muitas pra caberem no meu quarto. E sua mão é grande demais pra minha (and not in a good way), e eu sou pequena demais do seu lado, e delicada demais pra sua força desmedida e pra sua falta de jeito crônica. Fraca demais pras suas brincadeiras, pros seus tapas, beliscões e coisas de menino. You see, eu nunca tive meninos por perto quando criança, e só sei brincar de Barbie, de casinha, de escolinha, de coisas civilizadas.

Hoje quando eu cheguei em casa você não tava mais aqui. E mesmo antes de chegar o sol brilhava mais, o cheiro de produto de limpeza e a água escorrendo na escada lá de fora eram mais limpos, o ar era mais leve, porque eu sabia que a minha vida voltava pra mim.
Entrei no meu quarto e ele tava vazio, sem roupas grandes demais e malas espalhadas pelo chão, sem nada na escrivaninha, na cama ou no armário que não fosse 100% meu. E a minha TV não passa mais olimpíadas e nem fica ligada o dia todo no canal de esportes, as coisas espalhadas são todas minhas, os copos d’água pela sala são meus. A minha vida é minha e só minha, como eu sempre quis, como eu conquistei, como eu cuidadosamente e meticulosamente construí.

Hoje, antes de vestir meu avental e lavar as louças, antes de limpar a bagunça do meu cachorro, antes de refazer a cama e ajeitar o mundo de volta pro lugar, eu me sentei aqui. Pra falar desse sol de hoje que brilha mais que os outros e enche a minha casa de luz, do perfume que permeia o ar, do som do Muse enchendo meus ouvidos e entrando pela minha pele:


“Yeah, freedom is mine and you know how I feel
It’s a new dawn, it’s a new day, it’s a new life for me.
And I’m feeling good.”

sexta-feira, agosto 08, 2008

Minha dupla personalidade me choca


No momento em que eu me vi livre daquela pira foi como se um espírito saísse de dentro de mim. E eu comecei subitamente a rir da minha própria cara, da minha própria capacidade de inventar amores, paixões, pessoas até. Da minha imensa e absurda mania de mitificar as coisas. De repente, não mais que de repente eu me olhei no espelho, olhei pra ele, pras fotos dele, e a nuvem se dissipou na minha frente. É só ele. Ele que eu já conheço, ele que é só um cara, ele que ficou tempo demais longe, eu sei.... mas continua sendo só ele. Não é o Brad Pitt, não é o Rodrigo Santoro, não é o Carlos G. É só ele. Sim, eu quero vê-lo, mas tem tantas outras coisas que eu quero agora. Sim, eu tenho saudade, mas também sinto falta de tanta gente, de tanta coisa. E todas essas coisas e pessoas e sonhos continuam ali fora me esperando, e eu deitada no sofá inventando e montando uma pessoa, pintando um painel com as minhas cores e características preferidas pra no final encaixar a cara dele ali no meio, e fingir pra mim que ele é aquilo ali.

E pensar que eu quase parei no tempo, eu quase perdi um fim de semana, eu quase desisti de um dos mais fortes sonhos de consumo da minha história.... só por ele

Cuidado com a pira, você pode pegar fogo.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Have I mentioned?



Eu não sei se já contei, mas eu deixei de te procurar. E de te esperar, e de fazer planos pro dia do seu aparecimento. Parei. Dessa vez não por desânimo, ceticismo, saco cheio, nem por nenhuma das razões habituais. Eu só não sei mais se eu quero te encontrar, simples assim.

Acontece que eu não sei se conseguiria arrumar espaço pra você na minha vida, não com tanta coisa que já levo comigo. Pior: eu sei que, na verdade, você me arrebataria de um jeito inoponível e insuperável, se enfiando a fórceps nas minhas entranhas, em cada pensamento, em cada segundo. Eu sei que você chegaria enfiando o pé na porta, invadindo sem pudor, fincando bandeiras vermelhas e montando acampamentos. E não sei se tenho estrutura pra essa bagunça dentro de mim. Não sei se quero mudar minhas prioridades, reorganizar meu tempo, faxinar meus armários, não sei se quero me readaptar pela milésima vez. Entenda, essa vida de cometa me fez cansar tanto de fases de readaptação, e eu não sei se quero começar tudo de novo. Pelo contrário, sei que tudo e todos que levo comigo têm importância demais, meus amigos são fodas demais pra serem trocados (momentaneamente sequer), minhas noites são boas demais pra serem abandonadas, minha voz e meu canto são fortes demais pra que eu cante só ao pé do ouvido, meu guarda roupa é cheio demais pra caber coisas de mais alguém. Eu sou boa demais pra ficar deitada no caixão de vidro te esperando, príncipe. Minha vida já tá preenchida. E bem preenchida.

Não, eu não disse que abri mão do amor, do romance, da paixão. É exatamente o oposto. Estou fazendo a opção por uma vida de amores, paixões, romances vários, orgasmos múltiplos, incontáveis possibilidades. Estou optando por uma existência plena, em todas as suas facetas e ângulos, em todas as suas aventuras e oportunidades. Trapézio sem rede de proteção. Sabe, príncipe... existe um mundo de gente e de coisas lá fora, e tantas dessas valem a pena. Eu não tenho mesmo tempo a perder te esperando.

A gente vai se encontrar, eventualmente. Eu sei que sim. O fato é que eu não posso mais esperar por esse dia. Então faça aí o seu caminho, construa aí a sua história, cresça sem medo, sem reservas, sem receios. Cresça, que quando a gente se achar eu te quero grande, e te mereço assim.

Te encontro pelo mundo, meu conto de fadas. Vou ser feliz e já volto.